Caro Comandante Geral,
Queira aceitar – sobretudo os colegas de Turma da APMB – o meu profundo e sincero sentimento de pesar pela perda do Capitão Cleiton!
Certamente, dos dias que passou entre nós, teremos gratas lembranças! Lembro como se fosse hoje, em 2005, quando o designei para a primeira Missão no Haiti e em visita à Brasília, ele teve a gentileza de passar em meu Gabinete no Comando Geral, oportunidade em que conversamos por mais de uma hora sobre o trabalho que realizava naquele país! Estava muito entusiasmado e muito consciente da relevância da presença da ONU naquele ambiente de pobreza, de fome e de doenças! Pelo modo e pelo grande entusiasmo com que falava (e pelo conceito que tinha junto aos seus superiores hierárquicos na ONU), percebi que o Cleiton tinha encontrado uma razão muito forte de existir, quer como pessoa humana, quer como profissional.
Algumas vezes tive oportunidade de falar aos policiais militares mais próximos, sobre a escritora chilena Gabriela Mistral. Para Gabriela, servir ao próximo não é uma opção pessoal, que fazemos apenas porque queremos, ou porque nos pagam para isso! Servir é uma dádiva, uma graça concedida por Deus a pessoas previamente escolhidas por Ele. O maior exemplo foi Jesus, que Ele escolheu para nos servir e nos servindo morreu!
O Cleiton foi escolhido por Deus para fazer o que tinha que fazer! Era lá que Deus queria que ele estivesse e não aqui entre nós! O Cleiton cumpriu a sua missão e Deus o levou para ficar com Ele!
Como ex-Comandante Geral, como cidadão brasileiro e, também, como pai que sou, sinto-me extremamente honrado em tê-lo conhecido pessoalmente. Uma pessoa educada, de excelente caráter, um exemplo de profissional e, também nos demonstrou, de alma generosa na atenção e carinho que dispensou ao povo tão carente do Haiti. A sua existência só pode ser um um motivo de orgulho para os seus pais, familiares e esposa – e para todos nós! Futuramente, também será para o seu pequeno filho!
O Cleiton se foi! Perdemos um grande ser humano! Um homem honrado! O Cleiton não veio ao mundo para ser um herói! Nem queria! Ele veio para ser ele mesmo! Ele veio para servir! O heroísmo é apenas um detalhe na sua maravilhosa existência e uma maneira que encontramos para prestar-lhe uma justa, merecida e inquestionável homenagem!
É assim que sempre me lembrarei dele!
Cel RR Renato Azevedo
ex-Comandante Geral da PMDF
Palavras muitas sábias diante da dor de se perder um herói, que não se fez herói pelo simples mérito de o ser, mas pelo coração incoparável que possuia.
É certo que está em paz com O Senhor que ele tanto cria.