REPRODUÇÃO
No início da manhã de hoje, o corpo do tenente será velado apenas pelos familiares e amigos
Morto no Haiti, o tenente da PMDF Cleiton Batista receberá condecorações
_ João Porto
Vinte e sete dias depois do terremoto que devastou o Haiti, será sepultado hoje, no Cemitério Campo da Esperança, o corpo do 1º tenente Cleiton Batista Neiva. Ele ingressou na Polícia Militar do DF em abril de 1997 e antes de partir, em 2005, para a cidade de Porto Príncipe a fim de participar da Missão de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), trabalhou em diversas unidades da corporação. Apesar de regressar da missão oficial em 2006, e devido a excelência dos trabalhos prestados durante o período em que esteve no Haiti, o tenente Cleiton nunca perdeu o vínculo com a ONU. Por isso, solicitou licença da polícia e, em 2007, retornou àquele país onde morreu. O velório está marcado para as 11h30, na Academia de Polícia Militar de Brasília (APMB). Na ocasião, o oficial será promovido post mortem ao posto de capitão do quadro de oficiais da PMDF e condecorado com a Medalha de Mérito da Segurança Pública do Distrito Federal com colunata de ouro e a Medalha Mérito Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes). O corpo do tenente chegou ontem a Brasília. A pedido da família, a imprensa não foi informada do horário. Cleiton estava com viagem marcada para voltar ao Brasil no dia 30 de janeiro quando se reintegraria à PMDF, mas o terremoto no Haiti impediu o retorno com vida deste brasiliense de 33 anos.
MÁRTIR
O oficial casou-se em Brasília, no ano de 2006, com a jornalista austríaca Irene Hoelïnger, que também estava a serviço das Nações Unidas. Os dois moravam em Porto Príncipe com o filho Yannick, de apenas um ano e sete meses. “Cleiton deixou de ser um PM para se tornar um mártir”. Com essas palavras o professor e coronel reformado da Polícia Militar George Felipe de Lima Dantas resumiu a atuação de seu pupilo na missão de paz do Haiti. Dantas acredita que o tenente tem a chance de ser o primeiro policial militar do Distrito Federal a se tornar um herói reconhecido mundialmente. Porém, para que isso aconteça, é preciso que Cleiton receba da ONU o título de mártir. Outros funcionários que trabalhavam no edifício-sede das Nações Unidas em Porto Príncipe já receberam a comenda. Ao lembrar do aluno, o coronel Dantas cita que Cleiton sempre teve uma visão diferenciada do universo da segurança pública. “Ele era um PM que olhava o mundo de uma maneira pacifista”, completa. Até agora, 212 mil pessoas morreram vítimas do terremoto, entre eles 22 brasileiros. Trata-se do tremor o terceiro mais fatal do mundo em um século, além de ser a pior tragédia na história das Américas. O sismo deixou 300 mil feridos.
PROGRAMAÇÃO DE HOJE
7h45 – Chegada do corpo à APMB.
8h às 9h – Momento reservado aos familiares.
9h às 9h30 – Momento reservado apenas a amigos e policiais militares.
9h30 às 10h – Missa de corpo presente .
10h às 11h – Solenidade militar.
11h15 – Deslocamento ao Cemitério Campo da Esperança.
11h30 – Sepultamento acompanhado da guarda fúnebre.
A cerimônia será aberta à sociedade brasiliense a partir das 9h30.
Fonte: Jornal de Brasília.
Deixe um comentário