Primeiros passos na terra do crocodilo adormecido

Primeiros passos na terra do crocodilo adormecido

Por Isangelo Senna da Costa – Capitao Policial Militar/PMDF 

“Senhor  pulsa, pulsa…”  grita o garoto tentando chamar a atenção de malais (estrangeiros) para os créditos de celular que esta a vender. Por mais corriqueira que a cena possa aparentar, tem-se nela retratado um traço marcante da cultura timorense.  Por aqui, encontrar pedintes pelas ruas constitui caso raro. Em regra, seja vendendo pulsas, peixes e frutas pelas ruas, seja retirando o sustento do campo, o timorense vai  levando sua vida.

A República Democrática de Timor-Leste, um dos países mais jovens do mundo, ocupa a parte oriental da ilha de Timor no Sudeste Asiático. Por quatro seculos, o Timor esteve sob influencia e dominio de Portugal. Em 1975, tres dias apos sua declaracao de independencia, o pais foi invadido pela Indonesia.  Em 1999, sob a chancela das Nacoes Unidas, por plebiscito, o povo timorense optou por se separar do pais vizinho. Durante e logo apos a ocupacao indonesia, o pais vivenciou periodos de grave convulcao social e violencia.

Hoje, 10 de janeiro de 2012, completo dois meses de missão atuando como Policial das Nacoes Unidas (UNPOL). Nas próximas paginas, divido parte de minhas primeiras experiência na terra do crocodilo adormecido.

 

Ten Sacchelli (PR), Cap Senna (DF), Cap Mauricio (SP), TC Valdemir (DF)

CHEGADA

Foi uma longa jornada até à área de missão. No dia 07 de novembro, deixei Brasília acompanhando o Tenente-coronel  Valdemir (PMDF). Cheguei a Díli no dia 11 de novembro, após passar por Miami, NY, San Francisco, Sydney e Darwin. No trajeto, muita paciência e jogo de cintura para conseguirmos nos fazer acompanhados por nossas armas. Já em Sydney, nos encontramos com  o Capitão Mauricio (SP) e o Tenente Sacchelli (PR). O Major Fernandes (RJ) se juntou ao grupo em Darwin.

Quase todo o contingente brasileiro se encontrava no aeroporto para nos receber. Também participaram da recepção os policiais Mark (Australia) e Rupert (Nepal) os quais nos acompanharam ao longo do  treinamento inicial (Induction Training). O Capitão Robson (DF) organizou nossa hospedagem no hotel Tropical, muito bem situado entre banco, supermercados e restaurantes.

Com Major Fernandes (RJ) saboreando comida dita como tipicamente brasileira.

 Muito cedo, subsidiados por informações do Capitão Rodrigo Campos (DF), ficamos sabendo que o TC Valdemir seria o único do grupo a permanecer na capital. Particularmente, sempre me visitava a lembrança as palavras do veterano Tenente Eurípedes (DF) “no interior, mesmo se podendo pagar, é muito difícil conseguir algum conforto”. Por isso, nesses primeiros dias, quase sempre ciceroneados pela Tenente Ligia (SP), resolvemos nos permitir conhecer boa parte dos melhores restaurantes da cidade.

Foram 22 dias em Díli, entre induction training, encontro do contingente brasileiro, jantar com embaixador e emprego provisório em Dili Sub-station. Nessa ultima, contamos com o apoio incondicional do Capitão Miquelino (DF) que encontrava-se respondendo pelo comando da Unidade.

 Induction Training

 RUMO AO INTERIOR

De helicóptero, nos deslocamos para nossos destinos definitivos. Enquanto o Major Fernandes e o Cap Mauricio se dirigiram para Oecussi, juntamente com o Ten Sacchelli, segui para Suai. Já no vôo, a mudança de cenário era nitida. São pouquíssimos os povoados com melhor infra-estrutura, e mesmo quando existem, encontram-se incrustados entre montanhas e, com freqüência, no topo dessas.

No heliporto de Suai, fomos recebidos pelos Capitães Atila (PMBA) e Veloso (FAB). Atila permaneceu conosco cerca de seis dias até seguir para sua nova lotação no Distrito de  Baucau. Nesse período, foi útil contar com seu apoio e conhecimento da região.

 

A caminho de Suai/Covalima

 Chegamos a Suai em um momento muito difícil para o Sub-distrito. O compound da UNMIT (sede local da ON há pouco havia saído de um incêndio. O calor estava insuportável, cerca 44ºC. Havia quase dois meses que a região encontra-se sem fornecimento publico de energia. Pela falta de água potável, Atila estava vivendo de água de coco.  Para piorar, estava difícil de conseguir acomodação. Por fim, em razao de problemas mecânicos ficamos sem veiculo, passando a depender de carona.

                Entretanto, aos poucos as coisas estão melhorando. A reforma da UNMIT terminou, já possuímos uma mini academia e refeitório. Com a chegada das chuvas, o calor deu uma trégua. A Timor Telecom, única companhia telefônica no país, retomou a venda de modem, outrora suspensa. Poder falar e interagir com a família pelo Skype faz toda a diferença. Ademais, os defeitos do veiculo foram sanados. Como os carros são distribuídos por contingente, nossos problemas de locomoção foram superados, pois somos apenas dois a dividir um carro.

 

ACOMODACAO EM SUAI

                A titulo de emergência, Atila havia combinado com a freire que administra um hospital/hotel na cidade para que podessemos nos hospedar, por uma semana, em uma de suas enfermarias. 

Por sorte, no mesmo dia em que chegamos, circulamos durante a tarde e conseguimos nos hospedar no hotel Castela Fronteira. As instalacoes desse hotel sao novas, no entanto, ao contrário do que poderíamos facilmente encontrar em Dili, nele não ha ar condicionado, internet ou TV. O café da manha é muito simples e com muito custo se consegue serviço de lavanderia ou mesmo a limpeza do quarto. Sem contar que a energia elétrica é disponibilizada somente à noite, quando, então falta água. Ainda assim, creia-se, este é o melhor hotel da região.

Permanecemos no hotel Castelo Fronteira por 30 dias, quando resolvemos nos mudar para uma casa, que possui sala, copa, e quatro quartos. Cozinha e banheiro estão situados do lado de fora da residência. Como o terreno situa-se em uma área alta de Suai, temos uma bela vista do mar e da floresta que cerca a vila.

No inicio, tomar banho de caneca e cozinhar em fogão a querosene era um problema. Aos poucos vamos nos adaptando. De toda sorte, quando precisamos preparar pratos mais complexos temos a cozinha da UNMIT a nossa disposição.

 

Distrito de Covalima

ROTINA DE TRABALHO

Invariavelmente, por ser uma missão sem postos ou graduações, ao chegar novatos na unidade, passamos a compor as escalas de patrulha, monitoramento e coordenação de operações do Distrito (DOC). As escalas de DOC e patrulha funcionam em turnos sucessivos de 08 horas. Para UNPOL, não existem finais de semana ou feriados. Já o monitoramento consiste em se visitar os sub-distritos, mesmo os mais longínquos, com o intuito de se avaliar as condições gerais de segurança, procedimentos da policia Local, etc.

Particularmente, passei por todas as funções descritas sendo que há cerca de três semanas fui apontado como consultor de Policia Comunitária (Community Policing Adviser), cujos principais focos no momento sao: as eleicoes que se aproximam; o combate a violência domestica; e a erradicacao das gangues compostas por integrantes de grupos de artes marciais. De toda sorte, principalmente a atividade de monitoramento me deu a oportunidade de conhecer todas os sub-distritos de Covalima bem como imergir na cultura local.

 

Estrada para Fatumean (Sub-distrito)

 

MULTICULTURALISMO

Sem duvidas, uma das experiências mais marcantes na missão tem sido a interação com outras nacionalidades. Em Suai, convivo com policiais dos mais diversos países, dentre os quais: Bangladesh, Sri Lanka, Malasia, Filipinas, Nigéria, Zimbábue, Nepal, Portugal e Austrália. Somam-se aos  policiais, os componentes civil e militar os quais possuem representantes de Egito, Rússia, China, Costa do Marfim, Congo, Ruanda, Moçambique, Camarões, Índia, dentre outros.

Esta experiência multicultural exige a observação de duas virtudes muito valorizadas por aqui: paciência e tolerância. No mesmo sentido, também convem se evitar as armadilhas proprias de posturas  etnocêntricas.

Por outro lado, o fato de ser brasileiro ajuda muito, seja pela admiração que os outros povos nos dirigem, seja por nossa desenvoltura e talento natural em mediar e solucionar conflitos.

Ademais, todos por aqui estamos distante de nossa terra natal e de nossos entes queridos, fator que ajuda bastante o clima de solidariedade entre os integrantes da missão. A titulo de exemplo, cite-se a agradável noite de natal que tivemos em meio ao contingente e imigrantes filipinos. De igual maneira, a festa de ano novo promovida pela  sede local da UNMIT rendeu boas conversas e risadas.

 

EXPECTATIVAS

Seria hipócrita se dissesse que minha maior expectativa estaria relacionada as eleições gerais que se aproximam, marcadas para ocorrer em marco deste ano. Impossível, já que em duas semanas, estarei partindo para o Brasil para  reencontrar esposa, filha (sete meses), familiares e amigos.

Por outro lado, embora a saudade de casa aperte e muito, esses dois primeiros meses de missão, sem duvida, para mim constituíram um período de desafios, adaptação, conquistas, e crescimento pessoal. Entretanto, o melhor é que ainda há muito por vir.

Finalmente, gostaria de dividir uma última experiência. Há poucos dias, representei os UNPOLs de Suai na primeira colação de grau realizada no Distrito. Foram muitos os discursos, muitos mesmo (risos). Cerimônia de locais para locais. Contei com a ajuda de um languange assistant (interprete) para compreender o que era dito em tetum (idioma local).

No evento, chamou-me atenção, o fato de todas as falas ressaltarem a importância da paz, da estabilidade e da independência política para que aquela formatura deixasse de ser um sonho para se tornar realidade. Saber que nosso trabalha esta fazendo a diferenca é muito recompensador. Penso não haver reforço maior a motivação para alguém  que se propõe a se aventurar do outro lado do planeta a serviço da paz. 

Na sequencia, fotos destes dois primeiros meses de missao:

 

Cap Atila (BA), Cap Veloso (FAB), Ten Sacchelli (PR), Cap Senna (DF).

                                       Com Policiais da ONU (UNPOL) de outros países.

 

                                          Mercado sabatino – Fohorem (Sub-distrito)

 

 

                                                            Suai Vila (onde estou lotado)

 

 

                                                           Fim de ano – Suai Vila.

 

 

Mini Mercado/restaurante Filipino/ UNPOLs, locais e imigrantes.

 

 

 

Publicado em: às janeiro 21, 2012 em 1:02 am  Comentários (4)  

Discurso do Cap. Gustavo Danzmann na solenidade de condecoração da Medalha da ONU ao Tenente PMDF Cleiton Batista Neiva (post-mortem)

“Prometo dedicar-me inteiramente ao serviço policial militar, à preservação da ordem pública e segurança da comunidade, mesmo com o risco da própria vida”.
Essa frase foi dita pelo então cadete Cleiton Batista Neiva, no ano de 1997 ao ingressar na PMDF. Compromisso assumido e cumprido não somente em razão de seu trágico falecimento durante o cumprimento de uma missão de paz…

Há pessoas que se distinguem por viverem intensamente o amor ao próximo e a devoção ao servir, são pessoas com especial capacidade de transformar a vida e fazê-la melhor. Tenho certeza, foi o amor e a devoção que sempre conduziram o Cleiton; fruto é claro do exemplo e ensinamento de seu lar, em especial de sua mãe, dona Maria.

(neste momento, perdoem-me…Dona Maria, gostaria de dizer que jamais esquecerei de sua solidária ligação à minha mãe e de suas orações, ocasião em que fui vítima de um seqüestro-relâmpago, muito obrigado!).

No mesmo ano em que Cleiton ingressava na PMDF, 1997, por ocasião do aniversário de 50 anos da existência de missões de paz, o conselho de Segurança da ONU criou a medalha Dag Hammarkjold, comenda póstuma entregue àqueles que perderam suas vidas em missões de paz das Nações Unidas. Dag Hammarkjold, então Secretário Geral da ONU, faleceu em um acidente aéreo durante uma viagem ao Congo para um cessar-fogo. Deve-se muito a Dag Hammarkjold o início do processo de descolonização africana.

Foi em memória deste grande diplomata que se criou a comenda que meu amigo ora recebe. Quanta honra!
Entre Cleiton e Dog Hammarkjold há muito mais semelhanças que o falecimento em missão de paz. Certa vez, Hammarkjold disse que na unicidade da mente e interioridade encontrou forças para dizer sim aos desafios… ouso dizer que a ambos, nobres mantenedores da paz, os processos de auto-entrega e auto-realização foram comuns. Foi com estes atributos que sempre vi e ouvia meu amigo falar de seus afazeres no Haiti…era assim que ele se fazia exemplo a nós, seus amigos de turma, e àqueles que com ele tiveram oportunidade de conviver.

Cleiton jamais foi autofágico, nunca o vi lamentar a vida ou a dificuldade das coisas, jamais se deixou destruir e vencer-se pelos desafios. Nunca duvidou de sua fé cristã, que o manteve inabalável na certeza do amor de Deus e na missão de ser sal da terra e luz do mundo. Lembro-me de uma carta escrita por Cleiton ao Prof. Dr. Felipe Dantas e seus colegas de Especialização, contando de sua alegria ao retornar ao Haiti, em 2007 e ver inúmeras crianças brincando nas ruas de Cite Solei, como se estivessem em um jardim de infância… lugar onde antes havia dor e sofrimento… aquilo lhe havia dado a certeza de ter combatido o bom combate e o impulsionava a continuar ajudando a melhorar a qualidade de vida do povo do Haiti. A trajetória do Tenente Cleiton na ONU é digna do mais elevado reconhecimento e orgulho.

Foram quase 06 anos a serviço da ONU; entre 2004 e 2010 foi Chefe Policial de Operações do Centro Integrado de Operações da Minustah; Chefe de Operações do Departamento Oeste e da Capital e, por fim, Oficial de Segurança da ONU. Seus serviços foram tão relevantes que a ONU lamentou oficialmente não ter conseguido a extensão de seus serviços junto ao Governo Brasileiro e encaminhou documentação referindo-se ao Cleiton como “oficial do mais alto nível na UNPOL”, destacando sua determinação, sua não hesitação diante dos desafios, e, sobretudo suas habilidades interpessoais (traço realmente marcante neste verdadeiro amigo que tivemos)…
Ocorreu que a vontade do Cleiton em honrar o distinto convite de permanecer na Missão e ajudar no processo de pacificação do Haiti o fez iniciar gozo de 02 anos de licença sem vencimentos, quando próximo a retornar ao Brasil, vitimou-se no trágico terremoto…ressalto que Cleiton permanecia em serviço ativo…

Por fim, com o coração contrito pela saudade e bastante orgulhoso de meu amigo, reafirmo a convicção que nós, seus companheiro de da 8 Turma de Oficiais da APMB, Turma Tenente Edson, temos: DEUS LEVOU CONSIGO O MELHOR DE NOSSOS HOMENS!
À ONU, em nome da PMDF e da minha Turma de Oficiais, muito obrigado por tão nobre reconhecimento à memória de nosso amigo e irmão, gesto muito importante àqueles que amam o Cleiton.

Que a graça e paz de Deus seja com todos nós e continue a abençoar a família de Dona Maria, à Irene Hoelinger e ao Yannick, esposa e filhinho do Cleiton. Vocês são parte de nossa turma! Obrigado pelo presente que nos deram: o filho, irmão, esposo, pai, amigo e HERÓI Cleiton Batista Neiva. Sem dúvidas, O EXEMPLO de todos nós…

Obrigado!
Luiz Gustavo Danzmann – Cap QOPM.
8ª Turma de Oficiais da Academia da Polícia Militar do Distrito Federal.

“Aspirantes 1999.”

Publicado em: às janeiro 15, 2012 em 5:57 pm  Comentários (1)  

12 de janeiro de 2012

Amanhã completa 2 anos do falecimento de um grande amigo e companheiro de profissão. Por diversas vezes já escrevi sobre a saudade em perder uma pessoa tão querida e que perdeu a vida de uma maneira tão delicada. Entretanto, para não me prolongar, Cleiton Batista Neiva foi alguém que me ensinou muito, que nunca desistiu de seus sonhos e sempre buscou a sua felicidade! E isso me serviu de inspiração e motivação para continuar na eterna busca por meus sonhos, ideiais e felicidade! Afinal, a vida é uma só (pelo menos eu creio nisso)!

 A saudade que o Cleiton deixou nos garante a liberdade e a certeza de que a vida pode muito valer a pena, mesmo que nos encontremos muitas vezes em situações adversas!!! Alias, a vida vale a pena, basta apenas correr atras do que ela tem de melhor a nos oferecer!

 A todos aqueles que perderam as suas vidas no terremoto no Haiti ou em qualquer missão internacional humanitária, o nosso reconhecimento e certeza de que algo muito maior, e por vezes inexplicavel, os moverarm e os inspiraram!

 Aos familiares e amigos que ficaram, que o Divino os confortem diariamente, com a certeza de que se foram realizando um sonho, de servir ajudando povos menos favorecidos e realizando aquilo que seus corações mandavam!!!

 Sérgio Carrera

 “Sinto dizer que sem esforço nada vai acontecer!
Não adianta reza forte, nem macumba com 20 velas.

Se você não se decidir pelo primeiro passo,
se você não sair desse quarto,
nem os anjos e nem Jesus poderão te ajudar,
se você não se ajudar!

Quer emagrecer?
Caminhe todos os dias,
pare de dizer que não tem dinheiro para a academia.
A rua é livre, de graça e está te esperando, seja noite, seja dia.

Quer um novo emprego?
Estude algo novo, aprenda um pouco mais do seu ofício, faça a diferença
e as empresas vão correr atrás de você!

Quer um novo amor?
Saia para lugares diferentes assista a um bom filme,
leia um bom livro, abra a cabeça, mude os pensamentos,
e o amor vai te encontrar no metro, no ônibus, na calçada,
e em qualquer lugar, pois você será de se admirar.
Pessoa que encanta só de olhar…

Quer esquecer alguém que te magoou?
Enterre as lembranças e o infeliz!
Valorize-se criatura!
Se você se valoriza, sabe quanto vale,
sabendo quanto vale não se troca por qualquer coisa.
Se alguém te deixou é porque não sabe o seu valor.
Logo, enterre a criatura no lago dos esquecidos.
E rumo ao novo que o novo é sempre mais gostoso…

Quer deixar de dever?
Pare de comprar.
Não faça dívida para pagar dívidas!
Nunca! Jamais!
Faça poupança e pede para o povo esperar.
“Devo, não nego, pago quando puder.”
Assim, a cabeça fica livre e você vai trabalhar.
Em breve, não terá mais nada par a pagar…

Quer esquecer uma mágoa?
Limpe o seu coração, esvazie-se…
Quem tem equilíbrio não guarda mágoas.
Só as pessoas com problemas emocionais é que se ressentem.
Ficam guardando uma dor, alimentando como se fosse de estimação.
Busque o equilíbrio emocional. Doe-se, ame mais e tudo passa.

Quer viver bem?
Ame-se!

Felicidade é gratuita, não custa nada.
É fazer tudo com alegria, nos mínimos detalhes.
Pergunte-se e se achar resposta que te satisfaça, comece tudo de novo:
- Pra que 2 celulares (1 pra cada orelha?)?
- Pra que 3 computadores, se não tem uma empresa?
- 4 carros?
- 6 quartos se é você e mais 1 ou 2?
- 40 pares de sapato, se tem apenas 2 pés?
A vida pede muito pouco e nós precisamos de menos ainda.

Acorde enquanto é tempo e comece a mudança,
antes que o tempo venha e apite o final do seu jogo!
Espero que você pelo menos tenha vencido a partida.
Por Paulo Roberto Gaefke

Seja feliz!
E faça o bem sem olhar á quem….”

 

Publicado em: às janeiro 12, 2012 em 3:39 am  Comentários (1)  

Um comércio de horrores

A Tanzânia condena pela primeira vez caçadores de albinos. Devido a uma tenebrosa superstição, essas pessoas são mortas e têm o corpo retalhado para ser vendido a feiticeiros

Nathália Butti

Esdras Nidkumana/AFP
VIDA EM PERIGO
Uma mãe com seu bebê albino no Burundi: tradição macabra

Um tribunal da Tanzânia mandou para a forca, na terça-feira passada, três homens que mataram um menino albino de 14 anos e amputaram suas pernas. É a primeira condenação para um tipo de crime comum no país. Desde 2006, pelo menos 75 albinos foram mortos e esquartejados no país. O albinismo é uma deficiência na produção de melanina, o pigmento que dá cor a pele, olhos, cabelos e protege da radiação ultravioleta. Os portadores da deficiência têm a pele pálida e vulnerável ao câncer, cabelos finos e olhos sensíveis à luz. Devido a uma superstição macabra, que atribuiu poderes sobrenaturais aos “zero-zero” – como são pejorativamente chamados –, nenhum albino está a salvo na África Oriental, sobretudo na Tanzânia e no Burundi. Eles são caçados e têm o corpo retalhado para ser vendido aos fabricantes de mandingas. Samwel Mluge, albino de 50 anos que vive na Tanzânia, casou-se com uma albina e a alteração genética foi transmitida aos seus cinco filhos. “Sempre digo às crianças para serem cuidadosas e só andarem em grupo”, disse Mluge a VEJA. “Eu me sinto caçado como um animal.”

Na Tanzânia, país entre os últimos colocados no ranking de desenvolvimento humano da ONU e com renda per capita de 440 dólares, o comércio de órgãos para feitiçaria é um negócio que vale qualquer risco. As partes mais valorizadas do corpo de um albino (dedos, língua, braços, pernas e genitais) podem atingir 3 000 dólares a peça. Apesar de a incidência de albinismo no país estar cinco vezes acima da média mundial, a demanda é tão grande que a Tanzânia importa clandestinamente pedaços de corpos. Pescadores tecem fios de cabelo de albinos em suas redes para ter sucesso na pescaria. Mineiros penduram no pescoço amuletos feitos com seus ossos moídos. Quem consegue beber o sangue ainda quente de um albino tem sorte em dobro. Melhor ainda se for de uma criança, pois a pureza infantil intensifica o poder do feitiço.

Alimentado pela miséria e pela ignorância, um extenso rol de tradições brutais persiste na África. A mutilação genital das meninas é a norma entre a etnia majoritária do Quênia, por exemplo. A tortura e o assassinato pelos próprios familiares de crianças acusadas de possessão demoníaca são uma praga na África Austral. O caso dos albinos provoca maior indignação mundial devido aos esforços de um albino canadense, Peter Ash, que criou a ONG Under the Same Sun para pressionar o governo da Tanzânia a reprimir o tráfico de carne humana. Poucas providências foram tomadas. “Sabemos que pessoas poderosas se consultam com os feiticeiros e não querem ver seu nome em tribunais. Se as vítimas fossem normais, os culpados já estariam presos”, disse Ash a VEJA. Na semana passada, ele desembarcou na Tanzânia para continuar sua campanha. Por razões óbvias, fez-se acompanhar de três guarda-costas.

Fonte: Veja.com http://veja.abril.com.br/300909/comercio-horrores-p-142.shtml

 

Publicado em: às dezembro 11, 2011 em 5:35 pm  Comentários (2)  

Tenente-Coronel PMDF Valdemir dos Santos relata suas primeiras impressões na Missão de Paz da ONU no Timor Leste (dez 2011)

FOTO DA PRIMEIRA VISITA DE INSPECAO REALIZADA A MANATUTO A 70 KM DE DILI.

(TC VALDEMIR AO CENTRO – UNIFORME CAMUFLADO URBANO)

 Como foi a chegada em Dili, no Timor Leste? Foi tranquila?

Foi sim. Tive um pouco de transtorno porque vim pelo EUA. Via Santiago ou Buenos Aires problema com armamento são menores. É importante não esquecer a guia de trafego da arma expedido pela sua Região Militar (EB) e trazer cópia de tudo que se refere a arma. Na Argentina costumam cobrar uma custodia da arma (ninguém entende direito = de 70 a 150 dólares).

BAGAGEM: Se não quiser pagar excesso, mande tudo que passar de 20 Kg pela DHL, mas só chega uns 20 dias depois – cabe a cada um. A partir de Sydney, vão te cobrar U$ 2,0/quilo sobre o que exceder 20 quilos (fora os 7 KG da bagagem de mão)

Qual a sua função?

Como já tinha experiência anterior (no Sudão) e sou “senior officer”, como dizem aqui,  fui lotado numa Seção aqui de Dili responsável por fiscalizar todo mundo da UNPOL na Missão.

Os outros quatro que vieram comigo foram para o interior onde as condições de vida são mais restritas, porque em muitos lugares não há energia elétrica pública e outros não tem ar condicionado.

Como é o lugar?

Em Dili é bom, tem muitos restaurantes, praia todo dia, mas é caro (+/- US 800 para morar quando acha lugar; é possível morar “mais ou menos” pagando em torno de US 500 (em casas fora do centro, sem asfalto, sem gerador, sem internet, etc).

Se preferir cozinhar fica barato, mas para comer fora é caro em Dili – nos distritos ainda não sei.

Aqui tem muitos carros, quase todos japoneses e muitas motos. Nas motos eles carregam  quantas pessoas eles conseguirem colocar inclusive bebe de colo. É normal ver moto com o casal e três (e eu disse CINCO pessoas, incluindo crianças de QUARQUER idade). A salvação é que dirigem desesperadamente devagar 30/40 Km/h (dizem que a maioria não tem habilitação). AQUI E MAO INGLESA!

Como está o clima no país?

SOCIAL: muito calmo, não tem desavenças internas que resultem em clashes, mas já estão cansados de estrangeiros por aqui.

Sobre o idioma, não falam muito português. Apenas alguns antigos que foram educados antes de 1975 quando houve a invasão pela Indonésia e passaram a aprender bahasa. Nas escolas tentam ensinar português, mas não há professores suficientes.

SEGURANÇA: tranquilo, pode andar na rua de noite sem problema, gostam de brasileiros (quanto a ONU…).

PS: Neste domingo um carro da UNPOL bateu em uma moto e uma criança morreu, eles apedrejaram o carro e UNPOL fugiu do local.

METEREOLÓGICO: Está bem quente e dizem que vai ate março. Aparenta uns 35/38 graus (a julgar pelo Sudão) mas aqui nunca vi um termômetro. Nesta época chove umas duas vezes por semana, mas não é temporal.

Haverá eleições em breve, em março 2012 e o segundo turno 30 dias depois se ninguém ganhar no 1º (como no Brasil). Cerca 2 meses depois, eleições parlamentares.

INTERNET: Aqui ha internet 3G, mas de modo geral a tecnologia está atrasada, já que a conexão, tanto 3G como fixa e de 128 KBps (Esta chegando agora 256 KBps, mas custa o dobro do preço. O preço normal (128 KBps e U$ 1,00/hora de conexão).

A internet nos distritos (no interior) e a da ONU e muitos sites são bloqueados (SKYPE, VIDEOS, RADIO, TV).

ACOMODAÇÃO:

Estou provisoriamente dividindo uma casa com o Coronel PMDF Matias ate dia 15/Dez, quando ele vai embora e eu vou para um apartamento individual no centro da cidade.  Não se engane: quando me falavam apartamento eu pensava em prédios, mas quase nada aqui tem mais que 2 andares e a maioria das acomodações chamadas de apartamentos são construções térreas (casas simples, divididas em quitinetes).

 Esta que vou ficar foi reservada com mais de um mês de antecedência e custa U$ 750 (com ar condicionado, gerador, internet e cozinha = itens importantes).

 

Att.,

VALDEMIR DOS SANTOS

TENENTE-CORONEL PMDF

United Nations Police Officer – UNPOL

Timor Leste – East Timor – UNMIT.

Publicado em: às dezembro 11, 2011 em 5:23 pm  Comentários (1)  

Timor-Leste – Peacekeeping – State-building e Geopolítica

Timor-Leste – Peacekeeping – State-building e Geopolítica

 
Maria Estela de Oliveira Vieira[1]
Humberto Pedro Veiga Marques[2]
humberto.marques@gmail.com
Julho de 2008

Introdução

Timor-Leste esteve sob a dominação portuguesa durante aproximadamente 450 anos. Está geograficamente encavalitado na linha de fronteira que divide o Sudeste Asiático e a Oceânia. Em 1975, os Estados Unidos da América e a Austrália temiam a influência do comunismo naquela parte do globo. Alegadamente, Suharto foi encorajado a invadir a parte Oriental da Ilha de Timor, e contou com o apoio incondicional da Austrália e dos EUA. Este triunvirato de países não poderia consentir na instalação de um regime que considerava hostil aos seus interesses energéticos (Austrália), territoriais e matérias-primas (Indonésia) e geoestratégicos (EUA) no Pacífico Asiático. Em linhas gerais, eis a matriz bipolar que durante a Guerra-Fria foi favorável à ocupação hostil de Timor-Leste. Em 7 de Dezembro de 1975, a Indonésia ocupava a parte oriental da ilha que poucos dias antes proclamava a sua independência.

O movimento de resistência (guerrilha), a Igreja Católica, as NU (que juridicamente nunca reconheceram a ocupação Indonésia) e o esforço diplomático de Portugal foram, a par do massacre de Santa Cruz em 1991 – ‘CNN effect’ e da crise financeira de 1998, os elementos-chave que levariam ao referendo sobre a autodeterminação (1999) e posterior independência (2002) do jovem Estado de Timor-Leste, tendo por referência um milieu geopolítico multipolar, instável, complexo e interdependente.

O presente trabalho tem como objectivo analisar o esforço supramencionado que levou uma “nação” ao seu desígnio de constituir-se como um Estado, passando pelos acordos de Nova York que definiram o conceito multilateral de acção das NU, em particular, e da comunidade internacional, em geral, do peacekeeping ao state building que permitiria o exercício de autodeterminação numa moldura de geometria variável nos fora internacionais, como por exemplo a CPLP, ASEAN (onde Timor-Leste tem o estatuto de observador), inter alia.

A partir de uma contextualização geopolítica anterior a 1999 e posterior a 2002, pretendemos fazer uma análise descritiva das missões das NU, do peacekeeping ao peacebuilding de forma a podermos responder às questões. Em que medida as operações das NU contribuíram para o exercício da autodeterminação em Timor-Leste? Será Timor-Leste um estado sustentável? Este trabalho é longitudinal diacrónico, compreendendo um período que vai de 1975 até aos nossos dias, com particular enfoque no período de 1999 a 2006. O seu carácter descritivo permite um maior alcance analítico.
CAPÍTULO I

Timor-Leste

O Neo-colonialismo indonésio

O processo atabalhoado de descolonização que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, exacerbou por todo o império guerras de resistência à jovem democracia portuguesa, vislumbrando a independência, e que viriam a culminar em guerras civis que se prolongaram durante demasiado tempo e que devastaram os respectivos países. (Smith. 2001: 28).

O que nos interessa analisar agora é o caso de Timor-Leste, e que foi um caso atípico porque não houve resistência armada à presença portuguesa. Depois da capitulação Nipónica no fim da II Guerra Mundial, consideramos dignas de menção as rivalidades entre a UDT – “a right-of-center party representing commercial and landed classes” e a FRETILIN – “modelled on African-Marxist movements” (Smith. 2001: 28) que seriam aproveitadas pela invasão Indonésia com o apoio da Austrália e dos EUA (Machado), após um processo eleitoral conduzido pela administração portuguesa. A FRETILIN ganha as eleições, 55% dos votos, “with promisses of land reforms, the creation of cooperatives, economic self reliance and education” (Smith 2001: 26). Estes dois movimentos defendiam a independência e o seu desentendimento levou à guerra civil. Havia ainda um grupo minoritário, a APODETI, que defendia a integração na Indonésia. — A invasão da Indonésia agradou aos EUA porque eliminaria o perigo comunista da região e a cobiça Indonésia de dominar aquele território “rico em recursos naturais, especialmente o petróleo” (Machado), daí a política de aculturação seguida por Suharto. No entanto, “os jovens timorenses que o regime indonésio educou foram os que se opuseram à sua presença” (Machado). — O modelo adoptado pela Indonésia face a Timor-Leste foi o de uma “sobranceria tipicamente colonialista”. A Indonésia implementou em Timor-Leste tudo o que de negativo teve o regime colonial: execuções em massa, destruição de aldeias revoltosas, deportações, confiscação de terras, exploração de mão-de-obra barata, perseguição, prisão, assassinato e tortura de dirigentes ou suspeitos de Resistência” (Machado). Reduz os timorenses a uma pobreza extrema e procura apagar a sua identidade, que é consistente com Garcia (2003), quando se afirma que a Indonésia se deixou conduzir apenas por imperativos económicos. (Machado). No país do sândalo, a produção do café decresceu 90%. Privilegiou-se a exploração do mármore e do petróleo, negócios francamente lucrativos para Jacarta. Esta política de Suharto iria exacerbar o conflito que consideramos assumirem a moldura conceptual desenhada por Bloomfield e Reilly, como veremos no ponto seguinte. — A Indonésia ignora todas as resoluções da ONU antes do acordo de 5 de Maio de 1999 e considerou legalmente o resultado do referendo de 1999. Refira-se ainda que as milícias, apoiadas pelos militares pro-Jacarta, iniciaram uma onda de violência e novos massacres. A intervenção das NU, antes e no quadro das operações militares e de policiamento que se seguiram, desempenharam um papel fundamental na resolução do conflito, tal como teremos a oportunidade de verificar com o presente trabalho. — Sobre a origem dos conflitos — Segundo Bloomfield e Reilly, os conflitos civis, sob a forma de guerras civis, inter alia, sendo considerados novos tipos de conflitos, têm sido amplamente debatidos. Estão subjacentes dois elementos: i) identidade: mobilidade de povos cuja argamassa é a religião, raça, língua, cultura; ii) distribuição e partilha dos recursos económicos, sociais e políticos disponíveis. Estes conflitos emergem da percepção que grupos distintos têm da distribuição desigual da riqueza: “the combination of potent indentity-based factores with wider perceptions of economic and social injustice often fuels what we call ‘deep-rooted conflict’. Importa ter presente que há ameaças diversas e que, portanto, alteram a natureza dos conflitos. Embora sejam guerras menores do que as que se verificavam no passado, elas “flourish with much greater intensity”, porque i) está subjacente um profundo significado que é atribuído pelos combatentes; ii) proliferação e ágil distribuição de armas letais contribuíram para um crescimento exponencial da intensidade de conflitos identitários. Importa ainda referir que conflitos internos identitários podem estar em estado de latência e “outbursts of sustained violence” durante longos períodos, e provocam sofrimento humano em grande escala (invoquemos os casos das limpezas étnicas levadas a cabo na Bósnia na década de 1990; e, Timor-Leste onde, embora apresente uma moldura identitária diferente, é também levada a cabo uma política de esmagamento do povo maubere. No longo prazo, a sociedade é militarizada pelo facto de a violência ser aceite e institucionalizada. Este aspecto constitui o recorte do caso dos guerrilheiros que resistem à ocupação indonésia, e que veremos mais à frente. — Bloomfield e Reilly consideram que “In the interconnectedness of the modern world and the instantaneous transmission of news – the so-called ‘CNN effect’, conflict respects few boundaries, borders or jurisdictions”. Falamos da interdependência complexa (Nye & Keohane 2001) entre os estados. Invoca-se a possibilidade de um conflito exorbitar as fronteiras do estado e assiste-se a um ‘spill over effect’[3]. Estes conflitos transformaram-se em ‘frozen conflict’ durante a Guerra-Fria. A alteração do millieu geopolítico do SI e o regresso à multipolaridade vestefaliana (ainda que apresente padrões de transformação) estimula estes conflitos profundamente enraizados a sair do seu estado de latência. O novo ordenamento do SI carece de mecanismos que acomodem as necessidades mais subjectivas, complexas e ´deep-rooted’ bem como os interesses que melhor equacionem conflitos identitários e a gestão de conflito. — Pese embora o facto de Timor-Leste apresentar uma matriz social, política e económica fragmentada, que a presença Portuguesa não unificou, a religião, as tradições culturais mauberes e a resistência foram os pilares fundamentais na luta contra a ocupação Indonésia. — Resistência timorense – Considerando as características da resistência de guerrilha, com recursos parcos, aninhada nas montanhas e acossada por um poderoso ocupante, vislumbramos um espírito de nação enraizado. Identificamos três dimensões deste movimento de resistência: 1) dimensão militar, liderada pelo guerrilheiro Xanana Gusmão – na condução das tácticas de guerrilha; ii) dimensão dos direitos humanos conduzida pelo Bispo Carlos Filipe Ximenes Belo, com o respaldo da Igreja Católica – com expressão no povo; e, iii) dimensão política e diplomática, conduzida por Ramos Horta – acção internacional a partir de Portugal e da Austrália. — Em conversa com Bucar Corte-Real[4] (25 de Abril de 2008) temos a percepção clara de que a língua portuguesa foi elemento da argamassa que uniu a nação na luta contra o invasor. A lusofonia surge ainda como a “arma” diplomática nos fora internacionais na luta pela independência e auto-determinação: “Na Nossa luta contra Indonésia, durante 24 anos, utilizamos também a língua Portuguesa como um dos meios para facilitar ligação entre Timor-Leste e os estrangeiros (facilitar dados da violação dos direitos humanos pela Indonésia perpetrados contra os Timorenses que lutaram contra a ocupação e na diáspora para fazer campanha diplomática). Foi ainda o elo de ligação entre a resistência na cidade com os guerrilheiros que se encontravam nas montanhas. Na nossa luta durante 24 anos, foram as nações da CPLP (Comunidade Países de Língua Portuguesa) que facilitam e ajudaram na área da diplomacia, com especial ênfase para Portugal”. — Parece-nos determinante o ano de 1996 quando Ramos Horta e Ximenes Belo são agraciados com o Prémio Nobel da Paz, porque conseguem que a Comunidade Internacional tenha consciência da tragédia e sofrimento do povo timorense. O clímax da invasão Indonésia acontece em 5 de Maio de 1999 com a assinatura dos acordos entre Portugal e a Indonésia, sob a égide das ONU, em que se reconhece o “direito à autodeterminação do povo de Timor-Leste” (Fiúza[5]). — Sobre a importância da Religião e da Língua Portuguesa — Tal como noutros processos de colonização, a igreja católica foi o sustentáculo por excelência desde a chegada dos portugueses a Timor-Leste, a pedra angular de todo o edifício colonial ultramarino português. — De referir que se verifica um impulso significativo em 1940. O “Estado Novo assina com a Santa Sé o Acordo Missionário e a Concordata” e Díli eleva-se a diocese. Isto permite à “Igreja Católica o livre exercício da sua autoridade na esfera da sua competência” (Garcia 2003:3). Considerava-se vital a sua missão civilizadora e de utilidade imperial. Dinamiza-se então através da fundação e da gestão de escolas e na “difusão da fé católica e civilização da população indígena” (Garcia 2003:4). Na verdade, institucionalizou o ensino (Silva 2005). — Independentemente do processo de “cristianização, permaneceram os valores sócio-religiosos do tribalismo, resultado da aculturação católica formal” (Garcia 2003:4). Consideramos que a aculturação imposta pela Indonésia estimulou no timorense o instinto de resistência graças à aculturação da igreja. Foram traduzidos textos religiosos para o Tétum e o ensino do Português manteve-se. Este modelo de resistência, permitiu manter a religião católica respaldada no português e transformar o tétum em língua franca. (Garcia 2003; Silva 2007). Por isso, a igreja e o português foram também de grande preeminência em 1999, aquando da realização do referendo e para desvendar à comunidade internacional os desmandos da Indonésia na 27ª província do maior país muçulmano do mundo. Podemos inferir que foi preponderante nos aspectos sociais, político, e diplomático, bem como no âmbito militar durante a resistência de 1975 a 1999 (Fiúza; Garcia 2003). — Timor-Leste possui uma identidade cultural fragmentada com resquícios da aculturação portuguesa e indonésia. A primeira é mais nítida no património espiritual (religião, língua e arte). Em bom rigor, Timor-Leste não foi conquistado e, portanto, “a cultura portuguesa foi proposta e não imposta” (Garcia 2003:4). O que surge como consistente com a ideia expressa por Peter Stilwell[6] que entende a adopção do português como língua oficial de Timor-Leste faz todo o sentido devido à “ternura muito particular por Portugal e pelos portugueses” que os timorenses nutrem. Assim, o português ajudaria a “consolidar as raízes simbólicas de uma identidade nacional que têm a ver com uma relação história singular com Portugal”. No que se reporta À aculturação indonésia, ela estriba-se numa explicação tridimensional: presença militar, a imposição do bahasa Indonésia (língua oficial indonésia) e na presença económica. Estes elementos serão também rastilho de conflitualidade latente nos moldes conceptuais de Bloomfield e Reilley. Pelo que não consegue impor o islamismo e preserva os “símbolos da presença portuguesa” (Garcia 2003:5) — O Estado Timorense não pode ignorar a preponderância da Igreja. Trata-se de uma instituição cujo contributo para a edificação nacional, económica, cultural, política e moral é vital ainda nos nossos dias. O estado consagra não só a inserção do ensino da religião no currículo escolar, como criminaliza o aborto, a prostituição, aspectos inalienáveis da agenda católica à escala global (Silva, 2007 232). Aliás a Igreja Católica foi a grande aliada do Estado Português em todo o seu Império Colonial. — É interessante referir que durante a presença indonésia se verifica o recrudescimento da institucionalização do Estado (indonésio) em Timor-Leste e verifica-se o aumento da população católica para mais de 90%. O Estado Indonésio exige a implementação do princípio monoteísta através da escolha obrigatória de uma religião entre o islamismo, catolicismo, protestantismo, hinduísmo ou budismo. Verifica-se uma adesão em massa ao catolicismo e que Garcia (2003:4) considera como uma espécie de “revestimento” exterior para grande parte da população, mas é também um dos “pilares da identidade timorense”, se ponderarmos a integração do cristianismo na expressão dos cultos tradicionais, como, aliás, tivemos já o ensejo de referir antes, e será a argamassa identitária institucionalizada. — É interessante sublinhar que rejeitaram a supremacia da Igreja Católica Indonésia e vinculam-se ao Vaticano durante a ocupação. Este laço permite manter a liberdade de culto usando o português e o tétum. Anderson e Smythe (1998) consideram que a escolha do catolicismo cumpre três propósitos: i) cumpre a exigência monoteísta indonésia; ii) constitui a “arma” da resistência “política e identitária ao agente invasor” (Silva. 2007: 216); e, iii) fomenta o fosso entre os nativos indivíduos que o governo indonésio envia para colonizar o território.Nesta perspectiva, o papel da Igreja Católica na Formação do Estado-Nação é inegável em Timor-Leste. Em termos de credo religioso, o catolicismo tem uma expressão considerável, sendo que 95% da população é católica. A sua construção enquanto Estado-Nação inicia-se com a independência em 2002 e verifica-se a “construção de uma memória nacional” (Silva, 2007). É neste processo de construção que a Igreja Católica procura definir a sua participação tendo como respaldo o papel por ela desempenhado durante a ocupação Indonésia. — CAPÍTULO II — O Exercício da Autodeterminação — Os Acordos. Dilema de Segurança Multilateralismo e Interdependência — Em Nova York, 5 de Maio de 1999, Portugal e a Indonésia assinam três acordos que dão expressão a um compromisso e constitui o ocaso de “quase cinco séculos de colonialismo” e estabelece o modelo de transição em Timor-Leste (Vasconcelos, 2006). À luz do Direito Internacional, Portugal continua a ser a potência administradora. A Indonésia usurpa Timor-Leste cumprindo o seu desejo de dominação territorial. É a potência invasora que viola o Direito Internacional. É interessante sublinhar que a Indonésia reivindica que a invasão se verifica porque foram solicitados. Trata-se de uma clara referência à APODETI, facção política de expressão insignificante no espectro partidário nos 1970’s. Timor-Leste vivia uma guerra civil. A presença Portuguesa, militar e administrativa, não tinha grande expressão – era a província ultramarina (se utilizarmos a designação convencionada por Salazar). Os argumentos da Indonésia não foram nunca reconhecidos pela ONU. — Os acordos almejavam “determinar se o povo timorense aceitaria ou rejeitaria uma “autonomia especial” proposta” pela Indonésia (Brito[7]. 2002:2). A ‘consulta popular’ foi concebida “com base num sufrágio directo, secreto e universal”, estando na origem da implementação da UNAMET. Brito (2002) sublinha que os acordos transcendiam os formatos de participação da ONU. O artº 6 previa que caso os timorenses não aceitassem o modelo proposto pela Indonésia, as três partes teriam de negociar um modelo de transição que desse expressão ao interesse de Timor-Leste: — “(…) os Governos da Indonésia e Portugal e o Secretário-Geral deverão acordar em arranjos para uma transferência pacífica e ordeira de autoridade em Timor Leste para as Nações Unidas”. — Este articulado ilumina a estratégia negocial portuguesa e plasma a garantia do envolvimento da ONU nas diversas fases do processo de transição da nação de Timor-Leste para o modelo que viria ser o de um Estado Independente. Neste sentido, Portugal actua sempre no quadro da ONU à luz do Direito Internacional. Parecia legítimo esperar-se um período de transição relativamente estável, uma retirada pacífica da Indonésia e o início de um government building gradual. A realidade foi diversa. Os resultados não foram os esperados e a Indonésia desencadeia novos massacres e violência. Estes actos são perpetrados pelas milícias pro-Indonésias e pelos próprios timorenses integrados na polícia e no exército. — A entrada de forças internacionais só é possível com a autorização da Indonésia, uma vez que é a potência militar no território, pese embora o facto de não ser reconhecida como a potência administrativa (Direito Internacional). Portugal desencadeia novas acções diplomáticas junto da ONU e da Austrália no sentido de ser colocadas forças e meios militares para por cobro aos massacres. Não há precedente histórico para se caracterizar a rapidez de intervenção de uma força internacional num território, e que seria liderada pela Austrália. — A Austrália é o único país que reconhece a ocupação Indonésia. O rationale subjacente é que a Austrália aspirava a explorar as jazidas de hidrocarbonetos do mar de Timor-Leste. Este interesse constitui a exacta razão pela qual o reconhecimento da Indonésia, enquanto potência “colonizadora” de Timor-Leste, perde valor jurídico, à luz do Direito Internacional. — Parece-nos ainda pertinente sublinhar que a Indonésia tem ainda o apoio tácito dos EUA, como tivemos já o ensejo de mencionar. Estava-se em plena Guerra-fria e a orientação política da FRETILIN inspirava preocupação de índole geoestratégica. Não poderiam permitir uma “Cuba” situada no Sudeste Asiático. Em 1998 a grave crise financeira que se abate naquelas paragens do globo e as tensões crescentes entre a Indonésia e FMI operam uma alteração política em Washington (Smith. 2001: 30). — “No longer constrained by the strategic imperatives of the Cold War, the governments of the United States and other democratic countries felt freer to advance the global agenda for human rights, including the right of self-determination for culturally distinct regions oppressed or mistreated by central authorities inside sovereign states”. — Robert Cribb, Nation: Making Indonesia[8] — Suharto será afastado do poder e é substituído por B.J. Habibie. Podemos considerar que se tratava de uma processo cujo grau de maturação se alinha com o processo de auto-determinação de Timor-Leste. — Parece-nos pertinente sublinhar que a própria Indonésia se torna independente depois da II Guerra Mundial da Holanda. A presença portuguesa em Timor-Leste teve a duração de cerca de 450 anos (os Portugueses aportam à Ilha em 1512 e ocupam-na a partir de 1515, graças aos esforços dos missionários Dominicanos; aliás como vimos anteriormente, a igreja Católica desempenha um papel fundamental durante a ocupação Indonésia sendo o sustentáculo da população e da ligação do movimento de resistência e de guerrilha com o mundo exterior). Nesta perspectiva, Timor-Leste jamais foi colonizado pela Holanda. O desígnio indonésio de ocupar Timor-Leste não tem qualquer fundamento de reposição territorial, cultural ou identitário, pensamos. A Indonésia ocupa o território em plena Guerra-fria. Esta invasão permite um equilíbrio geopolítico e geoestratégico de forças e esmaga a possibilidade da dominação da China e da URSS. — Trata-se claramente de uma matriz realista, power politics, que nos permite invocar Tucídides e a “Guerra do Peloponeso”. A Guerra do Pelopeneso, caracteriza o dilema de segurança na justa medida em que pondera o uso da força, o poder de outros actores, e a possibilidade da ocorrência de imponderáveis tais como a formação de alianças para equilibrar a balança de poder[9]. Os ingredientes que acabamos de mencionar parecem-nos os que estão presentes na análise que Edward Kolodziej faz da guerra do Peloponeso. Neste sentido, a ameaça do bloco soviético erradica-se de forma a não permitir a alteração do status quo na região, latus sensus. — Em termos geopolíticos, Timor-Leste materializava um perigo considerável para a estabilidade e um elemento de perturbação dos equilíbrios de força num Sistema Internacional bipolar. Segundo a visão de Tucídides, a guerra resulta, na sua essência, de um desequilíbrio da balança de poder no sistema internacional. A sobrevivência do Estado depende da verificação das (três) variáveis que integram o modelo Tucididiano, o perfil do líder, a unidade do regime e o sistema de alianças que integra. Num contexto de anarquia internacional (dilema de segurança Hobbesiano) e de conflito permanente, a paz surge como um esforço artificial: um sub-produto, como Doyle sublinha “A crisis in 440 demonstrated how uneasy the peace was.” (Doyle 1998) (por referência ao conflito do Peloponeso). No pensamento realista de Tucídides há uma separação entre o plano interno do Estado e o plano externo fruto do estado anárquico do sistema internacional, esta separação não é consagrada na visão multilateralista pelo facto de existir uma regulação no sistema internacional. Segundo Tucídides os Estados competem entre si movidos por uma lógica de ganhos absolutos – jogos de soma nula – onde os ganhos de um implicam a perda do outro. Em 1975 não eram equacionáveis ganhos relativos. Não era equacionável alterar o status quo numa matriz bipolar. O pós-Guerra Fria proporcionaria a alteração do millieu geopolítico do Sistema Internacional que se transforma num xadrez multipolar mais instável, imprevisível e complexamente interdependente (Keohane e Nye. 2001:20-32). — Por referência ao período de transição, esta verifica-se numa altura em que a Indonésia carece de uma mudança à escala global: construir uma imagem positiva junto dos actores internacionais no Sistema Internacional, especialmente no quadro da ONU. Há uma conjugação de factores favorável a Timor-Leste. No entanto, é importante ter presente que a Indonésia precisa de ser cautelosa porque precisa de conter as tendências separatistas endógenas, o que nos remete para os conceitos de ‘frozen conflicts’ anteriormente definidos e que emergem do seu estado de latência no pós-Guerra Fria. — Importa ainda ponderar que a Indonésia tinha feito em 24 anos mais do que aquilo que Portugal fez em 450 anos (Vasconcelos 2008)[10]. E, portanto, assumiram que Timor-Leste referendaria/votaria a favor de um regime autónomo da Indonésia, sem que se verificasse a desvinculação. Assumiram que votariam a favor da Indonésia. Importa sublinhar que a pergunta a referendar é ambígua (Vasconcelos 2008). Os timorenses têm de responder não à pergunta se querem uma autonomia alargada. Assim, estariam a alienar o seu direito à auto-determinação, caso votassem pela autonomia alargada. O sentido de nação é claramente manifesto neste referendo, antes da formação do Estado. Aliás a maturidade dos timorenses em matéria de exercício político, no esforço comum de uma nação em construir um estado, é inegável se olharmos para todos os momentos e que exerceram o seu direito/dever de cidadania nos momentos eleitorais desde a sua independência até aos nossos dias. — O referendo de 30 de Agosto de 1999 foi claro, preciso e definitivo: a eficácia intimidatória do aparelho político, administrativo, policial e militar instalado no território pela potência ocupante não conseguiu dissuadir o povo timorense da opção pela independência nem perturbar a sua determinação em torno do desígnio comum. (Vasconcelos 2006). — Peacekeeping e a exigência de um paradigma multilateral — Desde a sua formação (1948) até aos nossos dias, a ONU já lançou sessenta operações de paz que constituem um conceito complexo e envolvem um processo de decision-making igualmente sofisticado. “Isso passa naturalmente pela definição tão precisa quanto possível das regras e dimensão do mandato, bem como da necessária cadeia de comando”[11]. A queda do Muro de Berlim e o fim da matriz bipolar vão estimular a evolução da natureza das acções da ONU que vão das missões puramente militares de peacekeeping a missões de maior alcance com vista à prevenção do “reaparecimento de conflitos armados mediante apoio à construção e consolidação de sectores considerados cruciais para a estabilização de sociedades afectadas por conflitos”[12]. Falamos, naturalmente de operações de peacebuilding, aliás conceito proposto por Portugal[13]. Segundo António Monteiro, Portugal tem desempenhado um papel de relevo no que se reporta à criação e implementação das missões de paz, distinguindo-se (os militares portugueses), nos episódios de Angola e de Timor-Leste. — Segundo Pinto (2007:128) o conceito subjacente ao Peacekeeping enforma uma prática pacífica. Carece de “consentimento das partes”, muito embora não seja consensual. No presente caso, “a Indonésia aceitou a presença da INTERFET e da UNTAET após forte pressões da comunidade internacional, inclusive os EUA”. No entanto, importa sublinhar que o uso da força que exorbite a auto-defesa constitui um recurso plasmado no Capítulo VII da Carta da ONU. “O uso da força em auto-defesa é legitimado por várias fontes”. Encontra respaldo na tradição liberal de Hugo Grotius e no Art 51 da Carta da ONU que “afirm[a] o direito dos estados à auto-defesa”. Fazendo enfoque no Peacekeeping, o conceito foi dotado de uma moldura de forma a acomodar “a necessidade de ‘defesa da missão’”, sendo certo que ela deve ser proporcional à ameaça e observar a lei internacional. O uso da força deverá atender: i) seriedade da ameaça; ii) justo propósito; iii) último recurso; iv) meios proporcionais; e, v) balanço das consequências. É pertinente mencionar a necessidade de se usar de uma certa parcimónia no recurso ao uso da força “[…] as operações de peacekeeping passem esta fronteira e se envolvam em actividades de enforcement” (Pinto 2007:129-139). — No início do século XXI verifica-se um “surge in peacekeeping” em comparação com os anos 1990’s, mas a participação dos países desenvolvidos não tem tido um aumento significativo. É disso evidência o exemplo da UE cuja participação não exorbitou os 10%, atribuindo-se esta magra participação aos alargamentos de 2004. (Gray 2005). — Este rationale está subjacente ao apelo feito pelo Secretário Geral das NU após a publicação do Relatório A More secure World. Our Shared Responsibility (2004): “[...] for peacekeeping and, in extreme cases, peace enforcement to continue to be an effective and accepted instrument of collective security, the availability of peacekeepers must grow. ‘The developed states have particular responsibilities here, and should do more to transform their existing force capacities into suitable contingents for peace operations”. (Gray 2005:209). — O debate sobre a natureza do peacekeeping é paralelo ao que se trava sobre o “rapid deployment of troops and rapid reimbursement of troop-contributing countries”. Alguns estados dizem-se preocupados com os perigos subjacentes a “‘mission creep’ and the essentially temporary nature of peacekeeping”, enquanto que outros consideram de grande importância “post-conflict peacebuilding for the prevention of the recurrence of conflicts” (UN Press Release SC/8095, 17 May 2004. In Gray 2005:210). Importa sublinhar que houve uma evolução significativa nas NU, tornando-a uma organização mais ágil e eficiente. No entanto, e tendo em consideração o Brahimi Report “the scale of the current surge might well outstrip our capacities to backstop the operations and we will have to look at augmenting those capacities” (Gray 2005:210). O referido relatório estimulou o desenho de reformas nas missões de peacekeeping: i) “establish more timely and more robust peacekeeping forces”; ii) improve early warning; and, iii) establish international criminal tribunal and the new International Criminal Court” (Gray 2005: 212). — Por referência às ‘Coalitions of the willing’ – Artemis, é interessante referir as acusações de ‘double standards’: os estados desenvolvidos não utilizam os mesmos critérios por exemplo para os países europeus e os africanos. Esta afirmação tem respaldo nas missões em África no quadro do Capítulo VII “were clearly unlike the major prolonged member state operations in Europe – in Bosnia and Kosovo – and that in East Timor” (Gray 2005:220). — Relativamente à exigência de um paradigma multilateral, e sua legitimidade (Gray 2005): aos estados desenvolvidos foi solicitada maior colaboração multilateral nas operações de peacekeeping das NU, com o envio de mais tropas (para África principalmente). Desafia-se a legitimidade dos estados desenvolvidos reterem autonomia quando à natureza da sua participação na manutenção da paz e segurança em África, estando subjacente a “shift of power away from the Security Council” (Gray 2005:223). Em rigor, o que se questiona é o debate sobre a “‘responsibility to protect’ in the context of unilateral humanitarian intervention” em casos em que o Conselho de Segurança não tem capacidade de veto. Trata-se de uma clara referência à intervenção unilateral dos EUA (com a anuência do UK, Portugal e Espanha – Cimeira das Lages) no Iraqui[14] e que teve uma oposição musculada da França e da Alemanha. — Missões de Peacekeeping a Peacebuilding da ONU para Timor-Leste — Segundo Smith, desde a sua implementação, a UNTAET cumpre três objectivos: i) “humanitarian relief”; ii) “creation of an administration”; e, iii) “independence” (2001: 26). Inicia funções a partir de 5 de Maio de 1999 na ONU. Os acordos são assinados por Jaime Gama (MNE), Portugal, Ali Alatas (MNE), Indonésia, na presença de Kofi Annan (Secretátio Geral da ONU). A UNTAET substituiu a INTERFET, que foi liderada pelos australianos. A participação eleitoral foi de aproximadamente 98% dos quais, 78.5% optaram pela separação da Indonésia. Como já foi referido, a divulgação dos resultados eleitorais, as forças Indonésias provocaram massacres e conflitos que apenas abrandaram com a chegada a 19 de Setembro de 1999 da INTERFET. A missão teve uma duração que foi manifestamente curta, tendo em consideração que estava em causa a potencial independência de um país. A missão não tinha legitimidade nem os meios para combate se assim fosse necessário. — A UNAMET é liderada por Ian Martin e estava sob a égide do DPA. Era aconselhado pelo DPKO e o ‘core group’ era integrado pelos EUA, RU, Austrália, Nova Zelândia e Japão. (Smith 2001:31). Habibie é favorável à convencionada consulta popular; no entanto as elites indonésias e os militares organizam-se determinados a fazer descarrilar todo o processo: campanha de intimidação. O staff da missão informa Nova Iorque da tensão e aconselha o adiamento da consulta popular, mas o calendário mantém-se. Apesar de tudo, e surpreendentemente, a UNAMET fez um trabalho hercúleo “managed to successfully register the majority of those eligible to vote” (Smith 2001:33). Os resultados deram origem a uma orgia de sangue que durante duas semanas devastou infraestruturas e deslocou cerca de 250,000 timorenses. — Importa referir que as autoridades indonésias jamais reconheceriam as atrocidades em Timor-Leste, adoptando um discurso para “consumo externo”, no fora e media internacionais, numa tentativa, diríamos mal sucedida, de redimir a imagem da Indonésia e acusa a ONU de parcialidade: — “[I]t should be clearly understood that these incidents are the symptoms of a much deeper mature. In the period before as well [as] following the popular consultation, some East Timorese had expressed their disappointment, anxiety and even misgivings with the lack of impartiality and objectivity of some United Nations personnel in undertaking their duty in East Timor. …[T]he Indonesian government is doing its utmost to bring the situation under control. However, this require[s] the need for self-restraint on both sides”. — Makarim Wibisono[15] — A UNAMET monitorizou o referendo sobre a autonomia em Timor-Leste. Foi estabelecida pela Resolução 1246 do CSNU em 11 de Junho de 1999. Foi com os acordos entre a Indonésia e Portugal, no dia 5 de Maio de 1999, em Nova Iorque, que foi conferido à ONU o poder para organizar e legitimar a consulta directa através de voto secreto dentro e fora de Timor-Leste. O mandato da UNAMET consistiu em: — “[organize and conduct a popular consolidation on the basis of the direct, secret and universal ballot, in order to ascertain whether the East Timorese people accept the proposed the constitutional framework providing for a special autonomy for East Timor within the unitary Republic of Indonesia or reject the proposed special autonomy for east Timor, leading to East Timor’s separation from Indonesia, in accordance with the General Agreement and to enable the secretary-General to discharge his responsibility under paragraph 3 of the Security agreement.”[16] — A UNMISET, 2002, foi instituída com o objectivo de assegurar a administração de Timor-Leste, exercendo a autoridade legislativa, executiva e da administração da justiça (Pinto 2007: 91-92). Esta missão foi marcada pela persistência das autoridades locais em assumirem o controlo efectivo das decisões que são tomadas na condução dos destinos do país. Segundo Ishizuka (2003:45) a UNMISET resulta da Resolução 1410 do CSNU de 17 de Maio de 2002 e foi concebida para substituir a UNTAET[17]. Exerceria funções até Junho de 2004. Esta missão foi mandatada para: — “a) to provide assistance to core administrative structures critical to the viability and political stability of East Timor; b) to provide interim law enforcement and public security and assist in the development of a new law enforcement agency in East Timor, the East Timor police service; and, c) to contribute to the maintenance of the external and internal security of East Timor. (…) [it] concentrates more on stability and security-building than was the case with the comprehensive operation of UNTAET”. — Trata-se, portanto, de missão cujo registo se situa mais ao nível da segurança externa e da integridade territorial. Trabalha em parceria com a Falintil-FDTL. No que se reporta à segurança territorial, o JMC[18] (Outubro de 2002) estabelece as fronteiras entre os dois países e regulam os mercados em ambos os lados da fronteira bem como serviços de emigração. É ainda pertinente mencionar a necessidade de repatriamento dos refugiados na parte ocidental da ilha de Timor, desde a independência de Timor-Leste. Este esforço foi conjunto com a Indonésia (cerca de 2,5 M de US$) (Ishizuka. 2003: 47). O processo de repatriação da parte oeste deveria estar completo em Janeiro de 2003. Quem não regressasse à parte leste durante este período significava que regressariam por si mesmos ou perderiam o estatuto de refugiados[19]. Segundo Ishizuka, estamos perante uma espécie de dilema de repatriamento “for some refugees of choosing between East Timor or Indonesian citizenship” (2003: 47). — Assim, esta missão foi alvo de alterações, embora os objectivos principais se tenham mantido. Foram definidos três níveis de prioridades: i) estabilidade, democracia e justiça; ii) segurança pública e a aplicação da lei; e, iii) segurança externa e o controlo das fronteiras. Importa destacar o envolvimento de Portugal, Brasil e de Moçambique como sendo os únicos países da CPLP a prestarem ajuda militar e policial. — A UNOTIL foi constituída a 20 de Maio de 2005 e o seu objectivo foi servir como uma componente política e de retaguarda. Não foi suficiente a sua criação na medida em que se assistiu ao surgimento de confrontações entre grupos rivais. — A UNMIT foi constituída a 25 de Agosto de 2006 pelo CSNU através da Resolução 1704. Esta missão continua a obra de missões anteriores através de uma visão global. Almeja criar uma situação de estabilidade geral no país, promover a democracia e a reconciliação nacional. Esta missão assenta em missões militares e não policiais devido aos contornos que o conflito assumiu. Eles estão essencialmente ligados á insegurança pública. Esta missão vai também desempenhar um papel importante no que diz respeito à preparação técnica e logística das eleições presidenciais e logísticas em 2007. Esta missão visou ainda “integrar” as funções e actividades de todas as agências da ONU em Timor-Leste, para colmatar a falta de coordenação que se verificava no terreno. — O Referendo — É agendado um referendo a ser coordenado pela ONU, através da UNAMET. A ONU considera o referendo um êxito porque 98,6% dos eleitores tinha ido às urnas. Apesar do terror inspirado pelo policiamento indonésio, 78,5% votou pela independência e 21,5% votou pela autonomia. A Indonésia não esperava o desfecho da consulta popular à pergunta “pela independência com soberania ou pela anexação à indonésia com autonomia?”. Importa referir que, apesar de ser a guardiã da paz, não preveniu “the orgy of militia violence against those they suspected of supporting independence in the aftermath of the referendum on 30 August 1999. This failure to protect human security provoked an enormous response from a large portion of the international community” (Smith. 2001: 26). Este facto dará origem à operação INTERFET composta por peacekeepers da ONU liderada pela Austrália, para travar o massacre. A retirada do exército indonésio traduziu-se na destruição de cerca de 70% do equipamento do país, “empurrou” cerca de 250,000 indivíduos para a parte Oeste da ilha e exterminou grande número dos apoiantes da independência (Smith 2001: 26). — A UNTAET, chefiada pelo brasileiro Sérgio Vieira de Mello e que Serra (2004) denominaria como o “bom ditador” e Philpott (2006) como o “benevolent Leviathan”, administra o território desde Novembro de 1999 até Maio de 2002, momento em que se tornaria independente. (Fiúza; Silva, 2007). — É criada uma “Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação”. Em 30 de Agosto 2001, os timorenses elegem “88 membros da assembleia Nacional Constituinte”. A FRETILIN liderada pelos Lu-Olo e Mari Alkatiri consegue ocupar 55 assentos da Assembleia. A Constituição é aprovada em 22 de Março de 2002 e entra em vigor em 20 de Maio de 2002, dia da Restauração de Independência de Timor-Leste. Em 27 de Setembro, Kofi Annan[20] assinala a independência timorense: — “None of us followed Timor-Leste’s long struggle for self-determination can help being moved by this moment. None of us can forget the sacrifices made by the people or the courage of its leaderships. Even before this day, Timor-Leste showed that greatness among nations is not a matter of size or resources, but rather one of global citizenship and adherence to the highest principles of our charter”. — Embora os elementos de uma nação sejam perceptíveis desde 1975, e ponderando o atraso da acção da ONU, surge um novo Estado na cena internacional. “Mais um Estado lusófono, para satisfação da comunidade lusíada internacional” (Fiúza). Vemos então a soberania de Timor-Leste consolidada. Invoquemos Lasell Taudin: “More than anything else, East-Timor needs all its people back, working together, in the most straitened circumstances, actively leading, not following, the massive task of forging a new nation” (in Fiúza). — CAPÍTULO III — A Geopolítica de Timor-Leste — O Anão e os Titãs – A Austrália e a Indonésia — Timor-Leste esteve sob a dominação portuguesa durante aproximadamente 450 anos. Está geograficamente encavalitado na linha de fronteira que divide o Sudeste Asiático e a Oceânia. Durante o Século XX a ditadura fascista – Salazar / Caetano – subjugou não apenas Portugal como todo o Império Português, e Timor-Leste tornou-se na província portuguesa ultramarina mais negligenciada, “the world’s most deprived backwaters” (Head e Tenenbaum. 2002:3; Chomsky 1999:1). Emílio César Relvas considera que Timor-Leste havia sido “abandonado e entregue a uma devastadora guerra civil, praticamente ganha por uma facção de índole comunista, que chegou a proclamar a independência da antiga colónia”[21]. — Em 1975, os Estados Unidos da América e a Austrália temiam a influência do comunismo, uma vez que a força dominante e que conduzia o movimento independentista era a Fretilin. Como já referimos, Suharto foi alegadamente encorajado a invadir a parte Oriental da Ilha de Timor, e contou com o apoio incondicional da Austrália e dos EUA para reprimir a resistência timorense. “A Indonésia com a conivência dos outros, ocupou o vazio deixado por Portugal” (Relvas)[22] — Este “arranjo” era favorável aos desenvolvimentos posteriores: em 1978 a Austrália[23] e a Indonésia “commenced negotiations […] on ownership and control of Timor Sea reserves” (Head e Tenenbaum. 2002: 3), e que culminariam em 1989 com a assinatura do “Timor Gap Treaty”. Chomsky (1999) sublinha este episódio sarcasticamente: “East Timor […] a region sober realists tell us is not economically viable, and therefore cannot be granted the right of self-determination”. Tratava-se do culminar das recomendações de Richard Woolcott[24]: “pragmatic course of Kissinger realism, because it might be possible to make a better deal on Timor’s oil reserves with Indonesia than with an independent East Timor” (Chomsky 1999). — Segundo Head e Tenenbaum a descoberta das jazidas de petróleo e gás natural “revived Portugal’s interests in its former colonial territory” (2002: 4). Não partilhamos a opinião de Head e Tenenbaum. A verdade é que as NU continuavam a considerar Portugal como o guardião de Timor-Leste[25]. O Tribunal Internacional consideraria, em 1995, que Portugal “had a valid claim under the UN Charter” (2002:4). A Indonésia não reconheceu a jurisdição deste tribunal. — Em 1997 os EUA lançam uma acção contra o governo corrupto e despótico de Suharto. Portugal vislumbra aqui uma oportunidade de lançar nova campanha diplomática internacional, desta vez com o apoio da União Europeia. A ONU nomeia um enviado para Timor-Leste. Além disso, faz uma aproximação feliz às facções no terreno: Gusmão, Horta, Alkatiri e às restantes elites Timorenses. — Em 1998 surge o CNRT em Lisboa que vai aproveitar as revoltas internas na Indonésia e lutar pela auto-determinação. Almejava o apoio de Portugal ou da Austrália para o “establishement of a separate state in which the native elite could operate as a junior partner” (Head e Tenenbaum. 2002:4), comprometendo-se a não oprimir as populações e a partilhar os lucros da exploração dos hidrocarbonetos. A Austrália coloca-se do lado da Indonésia. A Indonésia propõe uma consulta popular com vista ao estabelecimento de um modelo de autonomia, a supervisionar pelas forças militares indonésias. — O desenrolar dos acontecimentos levou a Austrália, fiel à sua preferência pela manutenção do status quo (dominação Indonésia) a conceber um plano mais arrojado para vencer a diplomacia ocidental e a ONU. Mobiliza as suas tropas “to secure Australia’s interests” (Head e Tenenbaum 2002:5), até porque tinha alegadamente conhecimento dos planos militares da Indonésia (inteligência militar), e lança “its Australian-led military operation” em 1999. A carnificina já havia começado, mas Canberra “had placed itself in the box seat to demand a substantial say in whatever administration the UN set up” (Head e Tenenbaum 2002: 5). — Timor-Leste tornou-se num país soberano em 2002, mas a situação real do país é a de uma nação privada de lastro económico, político e social, recursos humanos qualificados (Serra 2004; Ramos Horta 2008[26]) e institucional, e que alguns consideram como um “estado falhado” – “To all intents and purposes, East Timor will remain a semi-colonial protectorate” (Head e Tenenbaum 2002:7). Contrariamente a esta posição de Head e Tenenbaum, convém referir que a grande maioria dos investigadores considera Timor-Leste viável enquanto Estado-Nação (Silva, 2007; Fiúza; Machado; Serra. 2004; Vasconcelos 2006 e 2008, entre outros), apesar de ser uma das nações mais pobres do mundo onde a fome e a má nutrição é endémica, as desigualdades são evidentes e a instabilidade é constante. Trata-se de um trabalho de longo-prazo (Serra 2004). — A retirada da Indonésia foi feita à custa da destruição do país. A recente memória histórica da presença criminosa da Indonésia mantém-se viva e continua a tentar minar a soberania deste jovem Estado. A ajuda internacional não mitigou a pobreza extrema das populações. Há um défice de infra-estruturas e desemprego. A questão das receitas dos hidrocarbonetos é algo que carece de transparência (Serra, 2004). Esta moldura é favorável a uma atmosfera de instabilidade e a conflito em estado de latência – ‘frozen conflicts’ (Bloomfield e Reilly) – e que se manifestam em momentos de maior tensão desde a independência de Timor-Leste (Maio de 2006, o atentado a Ramos Horta no início de 2008). — Grande parte dos hidrocarbonetos situam-se em fronteira marítima contestada e estão a ser explorados maioritariamente pela Austrália. O petróleo constitui a sua principal fonte de riqueza para o seu desenvolvimento e combaterem a pobreza endémica e a dependência da ajuda internacional.. Em 2003 inicia-se o diálogo energético entre os dois países no sentido de procederem à delimitação e regulamentação das jazidas de hidrocarbonetos. A Austrália contemporiza e vai explorando três quartos de jazidas petrolíferas do Mar de Timor. Disputa-se ainda a definição da fronteira marítima e, também neste aspecto, a Austrália contemporiza. Por seu turno, a Indonésia procura “tirar partido da arrogância Australiana, cujo lucro, (…) é de $ 700.000 por dia e da frustração timorense”. Timor-Leste continua fragilizado e “entalado como sempre entre os seus dois poderosos vizinhos” (Sébille-Lopez 2005:61). A evidência aponta para uma omnipresença australiana. — A “Hegemonia” Australiana — A Austrália – AusAID – desenhou e está a implementar um programa de ajuda transversal em Timor-Leste para fomentar o crescimento e o desenvolvimento das populações. E por isso, a presença australiana se tornou omnipresente: “Australian aid to East Timor has been effective and has demonstrably improved the lives of East Timor’s people”[27]. — Importa ter presente que o desenvolvimento de Timor-Leste será um projecto de longo-prazo. Existe uma “Austrália-East Timor Development Assistance Strategy 2007-2011[28]. Esta parceria almeja proporcionar ajuda em áreas como: policiamento, gestão económica e execução orçamental, aprovisionamento de água e sistema sanitário, formação profissional, provisão de serviços de saúde, reforço do sistema jurídico, desenvolvimento de infra-estruturas (estradas e electricidade), et cetera. Trata-se de um esforço que o Bloco Lusófono não tem capacidade para contornar devido à barreira geográfica, inter alia. — Os Australianos tentam “modelar” e moldar a política local enquanto os países lusófonos “tentam manter as raízes culturais portuguesas na região”. (Souza e Silva. 2007). Considera esta ‘disputa surda’ nefasta: “a acção da Austrália preocupa. Gostaríamos de manter a lusofonia nesse país, reintroduzindo a Língua Portuguesa e trazendo Timor para o seio da CPLP, […] Nós gostaríamos que o país pudesse estabelecer a sua própria forma de governo, as suas alianças internacionais, sem interferência da Austrália. Essa é a nossa preocupação, de poder preservar a independência e a soberania de Timor”. — Timor-Leste esteve sob o jugo colonial durante séculos, e sob a tirania da Indonésia desde 1975. Tornou-se país soberano a partir de 2002. Tem duas línguas oficiais: a nativa, Tétum, e o Português. A primeira fortemente implantada e a segunda com a expressão de apenas 5%. Tem uma economia frágil e as jazidas de petróleo são consideradas como a ‘tábua de salvação’ (Serra, 2004), o sustentáculo por excelência do crescimento e desenvolvimento económico. No entanto, a definição da posse deste recurso natural tem sido também fonte de discórdia entre Díli e Canberra, assim como a definição da fronteira marítima entre as duas nações. Aliás, este rationale é consistente com as palavras de Ward e Symond (2003): “The Australian government is deliberately delaying the signing of an agreement with East-Timor, known as the Timor Sea Treaty, as a means of blackmailing the small, newly independent country into conceding a greater share of offshore oil and gas reserves to Canberra”. — Estamos de acordo com Ward e Symond quando consideram que qualquer parceria estratégica entre a Austrália e Timor-Leste, quer no que se reporta à presença militar quer no que se refere à presença de organizações no terreno, não constitui expressão da sua preocupação com o bem-estar do povo Timorense. Será, sim, “the preoccupation of successive Australian governments since 1975 – to control over Timor Sea oil and gas”. Aliás a presença militar australiana é a mais significativa em número e não está sob o chapéu da ONU. — Para um país sem indústria ou sector de turismo, que vive de uma agricultura precária de subsistência e uma muito modesta exportação de café, os hidrocarbonetos (petróleo e gás natural) e o mar constituem a sua possibilidade de não apenas garantirem o seu desenvolvimento como de garantirem a sua soberania. — Do ponto de vista de segurança/militar, a Austrália mantém uma força no território com comando próprio. Por seu turno, Portugal e o Brasil estimulam a cooperação nos sectores da educação, formação profissional e militar bem como institucionais. Souza e Silva considera tratar-se de “uma força desigual [dos australianos], mas a questão de reafirmação da língua [portuguesa] é muito importante para nós, além de apoiar os governos democraticamente eleitos”. — Alguns investigadores consideram que a falta de recursos humanos constitui uma das grandes fragilidades de Timor-Leste. “Não há quadros capacitados em todos os níveis para gerir o país”. (Souza e Silva; Serra, 2004). Serra sublinha o problema da falta de emprego, da baixa alfabetização e da “fraqueza da formação do capital humano e, por isso, da sua qualidade” (2004: 8). Além disso, refere que as fricções políticas internas nos permitem duvidar de uma possível ‘reconciliação nacional’, no curto prazo, porque o espectro partidário é deveras fragmentado. No nosso entender, isto é consistente com a manutenção das estruturas de poder tradicionais de pequenos reinos que a presença portuguesa não unificou e que o neo-colonialismo indonésio procurou esmagar e/ou aculturar. — Esta falta de maturidade também não foi estimulada durante o período em que a ONU administrou o território, que ignorou a estrutura e os recursos humanos nativos, criando uma estrutura nova. Será que esta criação se acomoda a este país? Serra (2004:9) considera que a DKO- Division of Peace Keeping Operations – construiu um modelo de raiz, considerando “não apenas como melhor que [o] anterior mas também como, pelo menos aparentemente, [o] único verdadeiramente aceitável e eficaz. Não deixa, no entanto, de deixar uma crítica às NU. O estatuto de Sérgio Vieira de Mello em Timor foi exactamente o de um ‘ditador bom’”, sendo esta ideia consistente com Philpott (2006) que considera as NU como um “benevolent Leviathan”. — Considerações Finais — O povo timorense conviveu com o estado português desde 1515. Apesar de se ter mantido uma sociedade fragmentada, a sua coesão durante o neo-colonialismo indonésio assenta em três sustentáculos por excelência: i) Igreja Católica, ii) língua portuguesa, leia-se diplomacia portuguesa; e, iii) resistência armada. Os dois primeiros continuam a ser os pilares que ajudam a escorar esta jovem nação. Esta foi a argamassa que permitiu lançar os fundamentos de uma nação durante a Guerra-Fria num recorte moldado pela Indonésia – Austrália – EUA. — No plano externo, a língua portuguesa, Portugal, as NU e a imprensa internacional juntaram esforços diplomáticos e jurídicos – direito internacional – que culminaram com o referendo pela autodeterminação em 1999 e pela restauração da independência em 2002. — O xadrez geopolítico de Timor-Leste no pós-Guerra Fria e os arranjos da Indonésia e da Austrália – aquela para fazer cumprir o seu desígnio territorial e acesso a matérias-primas, esta para usurpar as suas reservas de hidrocarbonetos na linha de fronteira do Mar de Timor – alteram-se numa moldura multipolar e interdependente. As missões das NU – de peacekeeping a state building – permitiram desenhar uma moldura institucional favorável à edificação de um estado-nação, embora flagelado pelos conflitos internos em estado de latência e pobreza endémica. Concordamos com Ramos Horta (2008) quando assegura que as reservas de gás natural e de petróleo não são a solução exclusiva para os problemas da economia de Timor Leste. A falta de recursos humanos constitui uma das suas grandes fraquezas, bem como a “falta de uma visão estratégica e de liderança” (Ramos Horta 2008) e de dinamismo da administração pública, mas é um estado viável e sustentável. A sua viabilidade e sustentabilidade passam pelo estímulo da reforma da administração pública, do sistema impostos, do sistema judicial. É incontornável a necessidade de se estimular o sector privado e a construção de parcerias entre este sector e o público. — Ramos Horta (2008) deu ainda expressão a uma ideia com a qual concordamos integralmente. Não está em causa o sucesso das operações das NU. Agora, os projectos de construção dos estados democráticos e o exercício de autodeterminação são complexos e carecem de tempo. É preciso muito mais do que dois anos para viabilizar a construção de um estado. — Pese embora o facto de arranjos multilaterais[29] verificados noutras ocasiões (por exemplo o caso de state building do Iraque), o povo timorense colocou em evidência uma capacidade imensa para suportar o sofrimento na luta pela autodeterminação e pela construção de um estado independente e cuja sustentabilidade dependerá da sua capacidade para encontrar um modelo de governação em conformidade com a sua própria realidade, os seus padrões sociais, económicos, culturais e políticos. Concordamos com Philpott (2006:154) quando conclui que “[…] it was the Indonesian state’s violent attempts to snuff out any sense of cultural uniqueness and the desire for self-determination that deepened perceptions of a shared sense of history and identity among the East Timorese” Não tendo maturidade em matéria de estado, ‘rule of law’, o povo timorense revelou ter maturidade para conquistar as suas liberdades fundamentais num ambiente geopolítico hostil. É de sublinhar o facto de que a campanha de intimidação indonésia não produziu o resultado esperado e mantiveram-se firmes no seu propósito de autodeterminação. — Jarat Chopra (2000) exprime algum cepticismo quanto ao sucesso do esforço de ‘nation building’ desenvolvido pelas Nações Unidas. Em todo o caso, e mesmo sendo talvez ainda cedo para medir e quantificar o sucesso das NU, é inegável o facto que foi o actor que legitimou o desígnio de independência timorense: “they have brought to a close decades of indifference to the suffering of the East Timorese on the part of governments, including those of the US, Austrália, UK, ASEAN states and Japan” (Philpott 2006:154). — A comunidade internacional tem a responsabilidade de ajudar a dotar esta jovem nação de acervo político-institucional, coesão socio-cultural e lastro económico que lhe permita a sustentabilidade enquanto estado-nação. — [1] Aluna do Mestrado em Relações Internacionais da Universidade do Minho. Técnica Superior do Serviço de Pós-Graduação da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho. [2] Aluno do Mestrado em Relações Internacionais da Universidade do Minho. [3] Este é o caso dos conflitos africanos, mas especificamente o Darfur. No Kosovo, por exemplo, as missões militares e de policiamento da EU (no quadro da PESD) e da NATO contêm o conflito intra muros controlando os “spill over borders”. [4] O timorense Manuel C.C. Bucar Corte Real é Professor da Universidade Nacional de Timor Lorosa’e. É aluno de mestrado de Economia, Mercados e Políticas Públicas da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho desde Outubro de 2007. [5] Professor de Direito Constitucional das Faculdades Milton Campos. Ex-consultor judiciário da ONU para Timor-Leste. [6] Teólogo da UCP. [7] Representante Permanente Adjunto de Portugal junto das Nações Unidas. [8] Smith, Anthony L. 2001. The role of the United Nations in East Timor path to independence, Asian Journal of Political Science, 9:2, 25 – 53. [9] Kolodziej, Edward A. s.d. Security and International relations, Chap. 2 “The foundations of security studies: Hobbes, Clausewitz, and Thucydides, Cambridge University Press. [10] As referências a Vasconcelos (2008) constituem notas soltas das aulas da unidade curricular (u.c.) de Prevenção de Conflitos e Manutenção da Paz que integra do currículo do Curso de Mestrado em Direitos Humanos, e u.c. opcional do Curso de Mestrado em Relações Internacionais da Universidade do Minho. Ponderando a possibilidade de interpretação enviezada, a responsabilidade é dos autores do presente trabalho. [11] Embaixador António Monteiro, in Maria do Céu Pinto. 2007. As Nações Unidas e a Manutenção da Paz (E as actividades de Peacekeeping doutras Organizações Internacionais), Prefácio. Edições Almedina, SA, p. 8. [12] Id. p 9. [13] “Enquanto Membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas no biénio 1997/98, a formalização do conceito de interacção” entre peacekeeping e peacebuilding. Em 2002 Portugal proporia ainda a criação de “estruturas especificamente vocacionadas para gerir período s de pós-conflito”, o que estaria na génese da Peacebuilding Commission. Dela se espera “uma abordagem mais coerente, oportuna e sustentável dos problemas enfrentados pelos países emergentes de situações de crise”. [7] Embaixador António Monteiro, in Maria do Maria do Céu Ferreira Pinto. 2007. As Nações Unidas e a Manutenção da Paz (E as actividades de Peacekeeping doutras Organizações Internacionais), Prefácio. Edições Almedina, SA, pp 9-10. [14] Operation Iraqi Freedom. [15] Embaixador indonésio nas NU in Anthony L. Smith 2001. The role of the United Nations in East Timor path to independence, Asian Journal of Political Science, 9:2, p35. [16][ http://www.un.org/peace/etimor99/Fact_frame.htm]. [17] “[It] is similar to the NATO-led Stabilisation Force (SFOR) in the former Yugoslavia”, Katsumi Ishizuka. 2003. Peacekeeping in East Timor: The Experience of UNMISET, International Peacekeeping, 10:3, p 45. [18] Liderado pelos MNEs (Ramos Horta), Timor-Leste, e Wirayuda, Indonesia. [19] Importa mencionar que a ONU estimou que teriam permanecido cerca de 30,000 timorenses. Tratava-se de “former militia, military, military police, government officials and their followers”, Katsumi Ishizuka. 2003. Peacekeping in East Timor: The Experience of UNMISET, International Peacekeeping, 10:3, p 47. [20] Secretário Geral da ONU em 2002. [21] [www.viegasdacosta.hpg.ig.com.br/timor/emiliorelvastimor.htm]. [22] Ibid. [23] O primeiro país a reconhecer formalmente a anexação. [24] Embaixador da Austrália. [25] Independentemente da ONU ter sempre considerado Timor-Leste como um território sob a tutela de Portugal, condenando a ocupação Indonésia, esta faz “tabua rasa” das resoluções do Conselho de Segurança que exige o respeito pela “(…) integridade de Timor-Leste, assim como o direito inalienável do seu povo à auto-determinação, de acordo com a resolução da Assembleia Geral 1514” (em 1975 e 1976). A um ritmo anual, aprovaria resoluções entre 1976 e 1982, ano em que foi aprovada a Resolução 37/30. Determinava que fossem iniciadas conversações entre as partes com vista à implementação do exercício do direito de auto-determinação dos timorenses. [www.caecplp.org/lusofonia/timor-lete/timor_leste.htm]. [26] Ramos Horta é Presidente da República Democrática de Timor-Leste, eleito em 2007. As referências a Ramos Horta (2008) constituem notas de Seminário proferido na Universidade do Minho, no dia 23 de Julho de 2008, Braga. [27] [www.ausaid.gov.au/country/country.cfm?CountryID=911]. [28] Ibid 14 [29] Por referência aos EUA, RU, Austrália, inter alia. — Referências — Primárias — Relatórios •Schwartz, Eric. 2001. The Intervention in East Timor. Report for the national Intelligence Council. •CRS Report for Congress. 2001. East Timor Situation Report, by Larry Niksch, Lois McHugh e Rhoda Margesson. 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Relações Internacionais, nº 11. •Sewall, Sarah. s.d. “U.S. Policy and Practice Regarding Multilateral Peace Operations”, Car Center for Human Rights Policy Working Papers 01-3. •Smith, Anthony L. 2001. The role of the United Nations in East Timor path to independence, Asian Journal of Political Science, 9:2, 25 – 53. •Gray, Christine. 2005. Peacekeeping and enforcement action in Africa: the role of Europe and the obligations of multilateralism. Review of International studies (2005), 31, 207-223. British International Studies Association. •Pureza, José Manuel; Simões, Mónica Rafael; José, André Cristiano; Marcelino, Carla. 2007. As novas operações de paz das Nações Unidas. Os casos de Angola, Timor Leste e Moçambique, Centro de Estudos Sociais, FEUC. •Silva, Kelly Cristinane. 2007. A bíblia como constituição ou a constituição como bíblia? Projetos para a construção do Estado-Nação em Timor-Leste, Horizontes Antopológicos, Porto Alegre, ano 13, n. 27, p. 213-235, Jan/Jun 2007. •Vasconcelos, Pedro Carlos Bacelar de. 2007. Entre os factores e o direito: dimensões constituintes na transição política Angolana. Scientia Ivridica, Separata, Tomo LVI – Nº 311. •————– 2006. Timor-Leste: da Nação ao Estado, “A transição em Timor-Leste (1999/2002), Edições Afrontamento. •————– 2007. O Estado, a Democracia e a nova “Desordem” Internacional. Scientia Ivridica, Separata, Tomo LVI – nº 309. •W. Doyle, Michael. 1997. Ways of War and Peace – Realism, Liberalism, and Socialism. New York/London. W.W. Norton & Company. •Chomsky, Noam. 1999. “Why Americans should care about East Timor”. [http://www.motherjones.com/news/special_reports/east_timor/comment/chomsky.html]. •Head, Mike and Tenenbaum, Linda. 2002. “East Timor’s ‘independence’: Illusion and reality in World Socialist Web Site. [http://www.wsws.org/articles/2002/may2002/timo-m18.shtml]. •Ward, John e Symonds, Peter. 2003. “Australia bullies East Timor over oil and gas” in World Socialist Web Site. [http://www.wsws.org/articles/2003/feb2003/timo-f07.html]. •Tanter, Richard. 2008. “East-Timor: The Crisis behind the coup”, Open Democracy. [http://www.opendemocracy.net/article/east_timor_the_crisis_behind_the_coup]. Tenenbaum, Linda. 1999. “East Timor provokes Australian foreign policy crisis. [http://www.wsws.org/articles/1999/oct1999/timo-o14.pdf]. Publicada por Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL)

 

FONTE: http://untl-timorleste.blogspot.com/2009/02/timor-leste-peacekeeping-state-building.html

 

Publicado em: às dezembro 6, 2011 em 1:09 am  Comentários (1)  

Guiné-Bissau e o ressurgir de uma nova crise?

Há muito que corriam rumores que o presidente Malam Bacai Sanha estava com sérios problemas de saúde. Eram conhecidas as constantes visitas, algumas repentinas, outras preparadas, a Dakar e a Paris para consultas e alguns internamentos, devidos a uma doença, nunca publicamente esclarecida.

Soube-se, há dias, que Sanhá tinha ido, uma vez mais a Dakar e recambiado de urgência para Paris onde o primeiro-ministro ter-se-ia deslocado para saber da situação clínica do Presidente, enquanto, na região, haveria algumas movimentações de países limítrofes, abrigando-se sob o chapéu protector da Comunidade Económica para Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO), para, caso necessário, intervir no único país lusófono daquela região africana – exceptuando, claro, mas este é outro “piano”, Cabo Verde – caso a situação degenerasse, como parecem não só prever, como desejar e ansiar.

E para reforçar a sempre latente crise que se reproduz na Guiné-Bissau, acabámos de saber, através do semanário electrónico “A Nação” que o Presidente Bissau-guineense já estará em coma hospital Militar Val de Grâce, em Paris, devido a sérias complicações de saúde, com os seus principais colaboradores a temerem pelo que se possa desenrolar no País onde, periclitante ou não, ia-se cimentando uma pequena estabilidade política, militar e social.

Esta situação não será tão estranha dado que, ainda recentemente, o premiê cabo-verdiano, José Maria Neves, que esteve durante uns dias de visita à Guiné-Bissau, também teria confirmado que o estado de saúde do presidente Bissau-guineense, transferido no último fim-de-semana de um hospital de Dakar para outro em Paris, inspirava “alguns cuidados“.

Igualmente a Oposição anda preocupada e deseja ser devidamente informada do verdadeiro estado de saúde do Presidente até porque o Chefe de Governo carlos Gomes Júnior que se tinha deslocado de propósito a Paris para ver o Presidente, facto que acabou por não acontecer, dizia ter recebido “notícias encorajadoras” quanto ao seu estado de saúde.

Para reforçar a já visível instabilidade política no País, também o Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas, Antonio Indjai – que há quem sussurre ter sido um dos mentores que levaram ao desaparecimento de alguns políticos no país após a última crise militar que quase depôs Carlos Gomes Júnior – terá avisado que haverá as habituais “barafundas” para a Guiné-Bissau, caso a CEDEAO decida enviar uma missão militar sob o propósito de garantir segurança às figuras públicas nacionais Bissau-guineenses, bem assim uma força de Paz.

Isto levou os cabo-verdianos, através do seu Ministro de Defesa, a apelar algum bom senso à CEDEAO e muita “prudência” na condução do processo de reforma da Defesa e Segurança na Guiné-Bissau, para evitar “factores de stress” e se prosseguir com o roteiro já orientado e definido com a CPLP.

Ora o que parece, está a passar, de novo, com a Guiné-Bissau. Uma nova e pungente crise à vista com muitos colaterais a salivar nos dedos. Será bom que a CPLP se mostre realmente e, goste-se ou não, que Angola sirva de charneira face a tão grandes e avassaladores apetites…

Não esqueçamos que Angola tem “observadores militares” a ajudar a reformular as forças de segurança na Guiné-Bissau e foi um dos principais financiadores para o o fundo de pensões para ex-militares Bissau-guineenses.

É que a estabilidade na Guiné-Bissau pode ser um farol para a estabilidade na região, principalmente quando com o fim da crise na Líbia se detectam, naquele espaço geográfico, do regresso “de várias pessoas ao Mali e Níger, provenientes da Tripolitânia, algumas delas na posse de armas pesadas“.

Fonte: http://port.pravda.ru/cplp/guinebissau/04-12-2011/32557-guine_bissau_crise-0/

 

Publicado em: às dezembro 4, 2011 em 6:14 pm  Comentários (1)  

Os militares e a polícia (Artigo)

COBERTURA ESPECIALEspecial MOUTSegurança
09 de Outubro, 2011 – 11:30 ( Brasília )

Os militares e a polícia

Polícia é polícia. Soldado é soldado. No discernir entre um e outro está o equilíbrio para garantir paz e liberdade democrática.
Mac Margolis
CORRESPONDENTE DA NEWSWEEK NO BRASIL

Polícia é polícia. Soldado é soldado. No discernir entre um e outro está o equilíbrio para garantir paz e liberdade democrática. Assim reza a cartilha do nosso tempo. Pena que o mundo conspira contra.

A violência na América Latina não é surpresa. Um estudo da ONU mostra a folha corrida da região. Para cada 100 mil cidadãos, a Venezuela amarga 49 assassinatos, a Colômbia tem 33 e o Brasil, 22. Na média latino-americana, são 16 homicídios por 100 mil habitantes, mais do que o dobro da mundial (6,9 por 100 mil). Isso sem nenhuma guerra convencional. Em apenas dois países, Honduras e Guatemala, matou-se mais no ano passado do que em todos os 27 países da União Europeia.

Agora, vem a guerra dos criminologistas. De um lado, os “minimalistas”, que querem manter uma muralha entre Forças Armadas e polícia. Romper essa barreira, advertem, é um atalho para o inferno jurídico e o caos social, mazelas que a América Latina conhece bem.

Do outro lado ficam os que veem o perigo da desordem e a necessidade de tomar uma atitude antes que seja tarde. Segundo eles, quando o crime vira emergência, não há escolha: a sociedade precisa reagir com todo o arsenal que tem.

O debate se intensificou no ano passado com a invasão das favelas do Complexo do Alemão, um esforço conjunto da polícia com as Forças Armadas. O Alemão estava na fila da pacificação no Rio, um projeto a ser executado somente quando houvesse policiais treinados para uma ocupação pacífica.

A intervenção, aplaudida pela população, foi questionada por especialistas. Seria um novo pacto pela segurança ou o início do fim da ordem democrática? A resposta não é tão nítida. Ninguém quer trocar Cosme e Damião pelo Urutu. Soldados não são treinados para ser guardas. Mas o que fazer quando a polícia não dá conta?

A escalada do crime, o envolvimento de organizações transnacionais e o uso de tecnologias de ponta forçam a mão do Estado, que precisa responder antes que o caos se instale.

A fronteira entre crime comum e ameaças à estabilidade nacional está cada vez mais tênue. Embates convencionais são raros. Em seu lugar, crescem os conflitos internos, a insurgência e os combatentes sem pátria misturando-se com civis, muitas vezes com a conivência de autoridades constituídas.

A guerra do futuro envolve esses freelancers. Esses criminosos não precisam derrubar o poder constituído, apenas solapá-lo para garantir sua autoridade. A polícia, sozinha, dificilmente dá conta.

Militarizar o combate ao crime é arriscado. No México, o presidente Felipe Calderón enviou as Forças Armadas para combater o tráfico. Resultado: 40mil assassinatos desde 2006. Havia escolha? Talvez não, pois as instituições mexicanas estão ocas.

Agora, Honduras, com o pior surto de violência da região, estuda uma solução à mexicana. Se é o começo do fim da ordem democrática ou o início do ressurgimento dela é uma questão em aberto.

Fonte: http://www.defesanet.com.br/mout/noticia/3081/Os-militares-e-a-policia 

Publicado em: às outubro 11, 2011 em 1:04 am  Comentários (1)  

Foto do Mês – Haiti

 

Bela foto que apresenta a cooperação entre o Brasil e o Haiti: Tenente PMBA Pujol e uma criança haitiana. Polícia e sociedade podem ser parceiras e amigas em qualquer lugar do mundo.

PS: Acervo do Tenente Pujol.

Publicado em: às setembro 18, 2011 em 7:41 pm  Comentários (1)  

MAJOR UNPOL BECKER E SEU TRABALHO NO PSDO – UNMIT 2009/2010

Em Fevereiro de 2009, a Resolução 1867-2009 do Conselho de Segurança da ONU reafirmou a necessidade da continuidade da reforma do setor de segurança no Timor Leste, particularmente, a necessidadede delinear os papéis e responsabilidade das Falintil – Forças de Defesa de Timor Leste(F-FDTL) e da PNTL(Polícia Nacional do Timor Leste), de forma a fortalecer os quadros legais e melhorar os mecanismos civis de fiscalização e responsabilização de ambas as instituições de segurança.  Foram feitos alguns esforços para reestruturação do mecanismo interno de disciplina da PNTL como, por exemplo, a acentuação da atuação do Professional Standarts & Discipline Office (PSDO), onde eu trabalho, extendendo sua atuação para todo território timorense.

O acompanhamento dos casos com energia, metodologia e resultados demonstrou rápidas melhorias na sistemática de monitoramento disciplinar. Também foram feitos esforços para a localização ou reconstrução dos processos que haviam desaparecido do gabinete por razões muitas. O número de casos pendentes junto ao PSDO diminuiu de 373 para 42 casos entre Novembro de 2008 e Junho de 2009. O PSDO concluiu que quase metade dos casos, cuja investigação foi retomada e concluída,  tinha fundamentação em evidências probatórias, sendo que os resultados foram encaminhados às autoridades no escalão superior da missão. Pelo menos 60 casos ainda aguardam decisões no Gabinete do Comandante Geral da PNTL.

Outra realidade enfrentada, foi que existiam sérios obstáculos ao funcionamento eficaz do PSDO nos distritos, uma vez que os agentes do PSDO eram  nomeados pelo comandante distrital da PNTL, e a este se reportavam. As vítimas de violações dos direitos humanos, incluindo o uso excessivo da força, quase sempre, enfrentavam obstáculos quando tentavam se queixar sobre violações, sendo o mais comum, o pedido da autoridade policial para que apresentassem suas queixas por escrito, em localidades com quase nenhuma escolaridade. Muitas vezes, os comandantes distritais não tomavam qualquer tipo de ação com relação aos casos ou não enviavam para as autoridades competentes na capital, por corporativismo ou negligência. Entretanto, se salva, algum bom resultado, uma vez que, frente a eesa realidade, alguns casos foram resolvidos através de mediação envolvendo o agente do PSDO ou o próprio comandante da esquadra.

Atualmente o PSDO está em fase de transição dos trabalhos para a PNTL, sendo que seus integrantes, na maioria dos casos em aberto, simplesmente monitoram os trabalhos de investigação que passaram a ser efetuados por integrantes da polícia local. Esse monitoramento objetiva a padronização de procedimentos, assegura a lisura dos processos e partilha as técnicas investigativas com os futuros donatários da pasta.

 (Auceri Becker Martins – Major UNPOL- PSDO/CDU Investigator – Dili, Dec ,2009 )

 

 

Publicado em: às setembro 6, 2011 em 2:05 am  Comentários (4)  

TC PMERJ André Silva resume sua participação no Seminário de UNPOL promovido pelo PPC no Chile.

“Nos dias  19, 20 e 21 de julho realizou-se um Seminário Internacional  de Operações Complexas de Paz no século 21, promovidos pelo Pearson Peacekeepenig Centre do Canadá, no CECOPAC, Santiago-Chile.

Participaram do evento policiais da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Guatemala, Paraguai , Peru e Uruguai.

Foram 3 dias de tarefas teóricas que envolviam palestras, leituras, exposição de painéis e estudos de casos.

A presença brasileira foi marcada do lado dos instrutores pelo Ten Cel PMDF Leonardo Santana (veterano de Angola e Timor Leste) e do lado dos alunos pelo Ten Cel PMERJ André Silva (veterano do Sudão) e pelo Cap Hélio Tenório (veterano do Timor Leste e instrutor do CCOPAB).

Foto: TC PMERJ André Silva (participante); TC PMDF Leonardo SAnt’anna (Palestrante) e Capitão PMESP Hélio (participante).

Cabe ressaltar que se tratava de um evento e natureza policial e que contou com a presença de policiais civis também. A ocorrencia de policiais femininas tambem foi destaque.Outro ponto a ser comentado e que a grande maioria dos policiais não eram veteranos de UN Missions, fato que colocou os brasileiros numa posição de destaque.

 

O curso foi conduzido no idioma de Cervantes.

TC André Silva – PMRJ , veterano do Sudão.”

Publicado em: às agosto 28, 2011 em 5:00 am  Deixe um comentário  

Tenente PMBA Leonardo Pujol relata suas missões na Missão de Paz da ONU no Haiti (MINUSTAH)

 

Mantendo a Tradição Brasileira: UNPOL Brasil – MINUSTAH

 

“Já completando 09 meses de missão, lotado na Seção Central de Operação – Unidade de Operações Conjuntas, considero muito difícil a tarefa de bem representar a legião de boinas azuis brasileiros que por aqui passaram… 

A Unidade de Operações Conjuntas (Joint Operations Unit) pertence ao Pilar Operativo da MINUSTAH (à antiga Diretoria de Operações – DIROPS, que hoje mudou seu status para Seção Central de Operações – Central Section Operations). É consirada o braço motor das Operações Policiais em todo Haiti, pois a unidade é responsável por planejar e coordenar todas as Operações Policiais que envolvam a Polícia Nacional do Haiti, a Polícia das Nações Unidas (UNPOL & FPU) e as Forças Militares da ONU. Possui grande flexibilidade, devido as suas missões não possuirem horário nem local determinado, além o alcance em todo território haitiano, com os mais diversos setores da MINUSTAH. Atualmente possui 08 membros de acordo com o a previsão do quadro de pessoal da Missão, das mais diversas nacionalidades: El Salvador, Colômbia, Jordânia, Canadá, Espanha, Costa do Marfim e Brasil. 

Uma unidade onde o mandato não-executivo, muitas vezes fica só no papel, pois o mentor & monitoring é feito em situações sob stress na linha de frente. 

Confesso que me sinto privilegiado em poder desfrutar de tal experiência profissional, e de ter o peso de representar os veteranos brasileiros que por aqui passaram (chegando o Brasil inclusive a ter obido a chefia da unidade).

Basicamente, a Joint Operations, realiza três tipos de Operações:

- Special: Operação realizada após um trabalho conjunto dos órgãos de inteligência, que se utiliza de unidades especializadas da Polícia Nacional do Haiti para o cumprimento de mandados de busca e apreensão, de captura de fugitivos, de operações que envolvam retomada de réfens, de pessoas sequestradas e da prisão de criminosos de alto risco.

Fotos: Special Operation Angel – City of God – Port au Prince – April 2011

- Sweep: Operação característica do Policiamento Ostensivo, de presença, de patrulhamento propriamente dito em locais ou regiões onde os índices de criminalidade e violência se encontrem elevados, em apoio as demais unidades locais.

Fotos: Sweep Operation Mouse III – Dessalines –Artibonite – June 2011.

- Flash: Operação realizada a partir do princípio da oportunidade, advinda de alguma informação que necessite de uma resposta imediata do emprego policial.

1° Ten PMBA Leonardo Moreira Pujol

United Nations Stabilization Mission in Haiti

United Nations Police

Brasil”

 

 

Publicado em: às agosto 28, 2011 em 12:52 am  Deixe um comentário  

Entrega da medalha Dag Hammarksjöld da ONU a mãe do Tenente PMDF Cleiton Batista Neiva

 

Entrega de medalha a familiares de oficial da PMDF

26/8/2011 13:31:00

Comunicação Social

Ocorreu na manhã de hoje (26), às 10h, no Quartel do Comando Geral (QCG), a entrega da medalha Dag Hammarksjöld à Sra Maria Batista Neiva, mãe do tenente Cleiton Batista Neiva, pertencente a 8ª turma de Academia de Polícia Militar da PMDF (Tenente André Edson de Souza Clemente) e falecido em 12 de janeiro de 2010 vítima de terremoto no Haiti. Tal comenda foi enviada a esta corporação pelo Conselho Militar Permanente do Brasil junto às Nações Unidas por ocasião das atividades desenvolvidas pelo tenente Cleiton nas Nações Unidas na Missão de Paz do Haiti.

Estiveram presentes na solenidade o general de brigada Fernando (Inspetor Geral das Polícias Militares e Corpo de Bombeiros Militares), o coronel Rosback (comandante geral da PMDF), o coronel Moretto (subcomandante geral da PMDF), o coronel Daier (chefe de Gabinete do Comandante Geral da PMDF – GCG), o coronel Adilson (chefe do Departamento de Ensino e Cultura – DEC), o coronel Garcia (chefe do CPCDH), o Senhor Jorge Alturas (chefe do Departamento de Salvaguarda e Segurança das Nações Unidas) e os seguintes capitães representando a 8° Turma de Academia de Polícia Militar-DF: Luiz Gustavo Danzmann, Luciano André Silveira, Sérgio Carrera de Albuquerque Melo Neto, Kelly de Freitas Souza e Jasiel Tavares Fernandes.

Breve Histórico do tenente Cleiton

O primeiro tenente Cleiton ingressou na PMDF em 03 de abril de 1997 e antes de partir, em 2005, para a Cidade de Porto Príncipe a fim de participar da Missão de Paz da Organização das Nações Unidas, trabalhou em diversas Unidades da Corporação, dentre elas, no 1º Batalhão (Asa Sul) e no Pelotão Turístico da Polícia Militar. Apesar de regressar da Missão Oficial em 2006, nunca perdeu o vínculo com a ONU, devido a excelência dos trabalhos prestados àquela Organização. Solicitou licença da Polícia e, pelo comprometimento com a missão de ajudar o povo Haitiano, retornou em 2007 àquele país para prestar serviços pela ONU.”

Fonte: Site da PMDF.



 


Publicado em: às agosto 27, 2011 em 2:45 am  Deixe um comentário  

UNPOL: 23 Oficiais aprovados nas provas do COTER

“A IGPM/COTER realizou na semana que passou a 2ª Avaliação de Policiais Militares para Missões de Paz da ONU. O processo seletivo compreendeu a avaliação de idioma estrangeiro, manutenção de armamento, prática de tiro e condução de viatura com tração 4×4.

Em Recife foram 8 Oficiais aprovados, de acordo com a relação a seguir:

- um Tenente de Sergipe,

- um Tenente de Alagoas,

- um Tenente do Ceará,

- uma Tenente Feminina da Paraíba,

- um Major do Rio de Janeiro;

- três Oficiais de Pernambuco, dentre os quais o Major Robson e o Capitão Domingos, ambos veteranos de missão.

Em Brasília foram 15 aprovados, sendo 10 Oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal – PMDF, fato que apenas confirma o elevado grau de preparação dos Oficiais da capital brasileira quando o assunto é Missão de Paz. Os outros 5 aprovados são oriundos do Estado do Paraná. A relação de aprovados em Brasília é a seguinte:

Polícia Militar do Paraná

- um Tenente Coronel (Veterano da Missão na Yugoslávia);

- dois capitães;

- dois Tenentes.

Polícia Militar do Distrito Federal

- um Major;

- oito Capitães, dos quais quatro são Oficiais femininas;

- um Tenente.

 Entre os Capitães aprovados na PMDF estão o Capitão Sérgio Carrera, veterano da missão no Haiti, e a Capitão Virginia, veterana da missão no Timor Leste.

Destacamos a expressiva aprovação de Oficiais femininas neste processo seletivo, demonstrando o aumento do interesse das mulheres policiais em participar de Missões de Paz das Nações Unidas.”

Publicado em: às agosto 14, 2011 em 2:39 pm  Comentários (1)  

Policiais militares femininas são aprovadas na Avaliação para UNPOL – ONU

No processo seletivo realizado simultaneamente nas cidades de Brasília e Recife, entre os dias 8 e 12 de agosto de 2011, 05 oficiais femininas foram aprovadas, sendo 04 Capitães da PMDF e uma Tenente da Paraíba.

Avanço importantíssimo para o país.

Que continuemos a avançar e estimular a maior participação feminina em Missões de Paz.

SC

Publicado em: às agosto 14, 2011 em 2:35 pm  Comentários (1)  

Chegada do Capitão PMDF Popov no Haiti

Foto tirada no momento da chegada do Capitão PMDF POPOV, no dia 08 de agosto 2011,  na cidade de Porto Príncipe, capital do Haiti, para o início do seu tour de missão na MINUSTAH.

Pelo visto foi muito bem-recebido pelos amigos PM’s brasileiros que o aguardavam.

“Agora o time está completo com a chegada no dia 08 de agosto de 2011 do Cap PMDF… Franklin Popov, SCmt do Contingente Policial-Militar Brasileiro no Haiti. Seja bem vindo irmão!” – TC PMBA Issa, Comandante do Contingente Policial Militar Brasileiro no Haiti (2011)
 
Sucesso, caro amigo!

Sérgio Carrera

PS: Foto do Arquivo  pessoal do TC Issa.
Publicado em: às agosto 14, 2011 em 2:21 pm  Comentários (3)  

Algumas informações sobre o Brasil e as Missões Policiais da ONU (julho 2011)

 

Guiné-Bissau: – Há previsão de rodízio de policiais militares brasileiros em Guiné-Bissau;

Timor Leste: – Haverá rodízio de policiais militares para o Timor Leste. O End of Mission previsto para setembro, com certeza não será executado. Todavia, alguns policiais militares permanecerão na Missão – em especial, os que assumirem funções de Advisors.

Sudão: – Não há previsão, até o momento, de rodízio de policiais brasileiros no Sudão.

Haiti: – O recém-promovido (parabéns!!) Capitão PMDF Popov encontra-se com previsão de chegada na MINUSTAH para 16 de julho. Mas como não chegou o Travel Authorization (T.A.)… só Deus para saber! Mais alguns meses… Difícil saber pq de tantas dificuldades com os policiais brasileiros. Sem contar a falta de informações oficiais. Enfim…ele foi designado juntamente com o TC PMBA Francisco Issa , que já está ficando veterano de Missão e o Popov ainda nem a entrevista (telefone) fez!!! Perseverança!!!

Brasil:

- Devido a problemas de legislação, o Brasil, provavelmente, perderá o cargo de Senior Police Advisor (Chefe do componente policial da Missão da ONU na Guiné- Bissau). Deixou o cargo o Cel PMDF Garcia e o seu substituto, já aprovado pela ONU, o Cel PMDF Erick Meier, não mais assumirá o cargo. Perde o país, uma das poucas oportunidades de ocupar cargos de importância em Missões. A ver…

- Das cerca de 15 missões de paz com efetivo policial, o Brasil participa apenas de 04 e provavelmente apenas de 03 (com a incerteza da situação no Sudão).

- Quem quer mesmo um assento permanente no Conselho de Segurança????????

 

Publicado em: às julho 2, 2011 em 2:43 pm  Comentários (2)  

Aniversário de Cleiton Batista Neiva (02 de junho)

Hoje, dia 02 de junho, Cleiton Batista Neiva completaria mais um aniversário. Infelizmente, Deus o levou para perto de si e nos privou de tamanha alegria que era tê-lo ao nosso lado. Único policial militar brasileiro a falecer em decorrência dos terremotos no Haiti, em janeiro de 2010, deixou marcado na vida de todos os familiares e amigos a sua amizade, carinho, competência e serenidade.

A nossa eterna amizade e saudade ao mais ilustre boina azul policial brasileiro.

Sérgio Carrera

Publicado em: às junho 3, 2011 em 6:19 am  Comentários (3)  

Suecos visitam o comando da PMDF

O Comandante – Geral da PMDF, coronel Paulo Roberto Witt  Rosback, recebeu na manhã de hoje (20) em seu gabinete, a visita do Chefe do Departamento de Missão de Paz da Suécia, Peter Sjögren e o diretor do curso Train of Trainers, Ola Wolter.


(Foto: Cel Adilson (Chefe do Departamento de Educação e Cultura – DEC), Cel Moretto (Chefe do Estado-Maior), Peter Sjögren  (Chefe do PSO/Polícia da Suécia), Cel Rosback (Comandante-Geral), Ola Wolter (Diretor do Curso ToT e membro do PSO), e Cel Niño (Chefe do DEpartamento de Finanças e Logística – DFL)

Durante a visita, foram tratados diversos assuntos, dentre eles, a cooperação bilateral entre o Brasil (Brasília) e a Suécia. O coronel Rosback agradeceu a visita e disse que essa cooperação entre as polícias é um marco para a PMDF, pois foi a primeira instituição policial no país a interagir com a ONU. Peter Sjögren  também agradeceu e espera que ambas as polícias possam continuar essa interação.

Fonte: Site PMDF.

Publicado em: às maio 22, 2011 em 4:48 pm  Comentários (1)  

Tenente PMDF Miquelino assume chefia e implementa programas de educação de trânsito para crianças no Timor Leste

O Primeiro Tenente da Polícia Militar do Distrito Federal – PMDF, Werner Miquelino, que desde setembro de 2010 atua na Missão de Paz da ONU no Timor Leste vem se destacando a cada dia em suas funções no país. Após ter ministrado cursos de trânsito para a Polícia Nacional do Timor Leste – PNTL, e permaner por um tempo como Admin Officer do Traffic Unit assumiu a posição de Deputy Commander do Traffic Unit.
 
 
Após o fim de Missão do Chefe da Unidade, o Tenente PMDF Miquelino foi escolhido pelo Comando da Polícia da ONU (United Nations Police – UNPOL) para assumir a posição de chefia, de Dili Traffic Unit Commander.
 
“Além das atribuições do trânsito da capital do Timor, Díli, tivemos a iniciativa em realizar uma escola de trânsito para as crianças no Timor, com isso, a primeira escola a abrir as portas para nos foi a Escola portuguesa, onde realizamos um trabalho com as crianças ensinando algumas regras básicas de trânsito de uma forma divertida de aprender.” – diz Werner Miquelino.
 
 
 
 
 
O Tenente Miquelino e a sua equipe estão desenvolvendo vários projetos, como pinturas no pátio da escola com as ruas, faixas de pedestres, cruzamentos e toda sinalização para elas usarem com suas bicicletas e triciclos.
 
 
 
 
 
 
O Comissário da UNPOL no Timor Leste compareceu a um desses eventos.
 
 
 
 
“Agora, o próximo passo é a escola internacional e depois disso, vamos para as outras escolas timorenses. O projeto está crescendo, inclusive, a Representante Especial do Secretário Geral da ONU (SRSG), chefe da Missão de Paz, quer que apresentemos o trabalho realizado para ela nas próximas semanas.”
 
Excelente iniciativa e todos os elogios para o belo trabalho desenvolvido pelo Tenente Miqueliino e a sua equipe, demonstrando mais uma vez a capacidade dos policiais militares brasileiros em promover não apenas a paz e a segurança mas também de realizar trabalhos sociais voltados a segurança pessoal e pública em áreas pós-conflito.
 
SC
Publicado em: às maio 6, 2011 em 9:18 am  Comentários (10)  

Evolução da polícia

Por Anderson Nakamura

“Nestes últimos anos temos visto várias realidades, ou como alguns preferem dizer, várias polícias dentro da Polícia Militar do Distrito Federal. Há aqueles que convivem com idéias e ideiais de construção de uma corporação melhor e há aqueles que ainda são obrigados a conviver com os coneitos e moldes de uma polícia não democrática.
 
Em que pese os fatos e fatores negativos, a Polícia Militar do Distrito Federal vem caminhando a passos largos para a modernização de sua estrutura e renovação de seus paradigmas. Nos meses de fevereiro e março foram realizados dois cursos de formação de Policial da ONU (UNPOC), sendo o primeiro realizado na Suécia e o segundo na Noruega. Há ainda um terceiro curso em andamento na cidade de Estocolmo, na suécia.  Os policiais foram selecionados por meio de prova escrita e oral no idioma inglês e ainda passaram por uma banca que realizou entrevista no intuito de avaliar o perfil profissiográfico do candidato.
Em tempos passados era comum que se proibisse ou dificultasse a presença de praças em cursos internacionais, mas não foi o que aconteceu dessa vez. Todas as versões do UNPOC contaram com a presença de praças. UNPOC I SD Leandro, UNPOC II SD Nakamura e UNPOC III SGT Da Mata.
 
Tal acontecimento demonstra maturidade e proporciona a todos os policiais igualdade de direitos tendo em vista as missões de paz da ONU não exigirem qualquer grau hierárquico, exigindo apenas que o policial tenha 5 anos de experiência policial, domine o idioma da missão e tenha aptidão para dirigir viaturas 4×4.
 
É fato de igual importância a tentativa de incluir o efetivo feminino nos cursos da ONU. A PMDF tem dado especial importância às nossas mulheres, contudo nosso efetivo feminino ainda não atendeu ao chamado da forma esperada.
 
Anderson Nakamura”
 
Fonte: Blog Policiamento Inteligente.

Direção de Operações da UNPOL na MINUSTAH muda de nome

Segundo o Tenente Pujol, da Polícia Militar da Bahia – PMBA, a Direção de Operações (DIROPS) da Polícia da ONU (United Nations Police – UNPOL), reduto de policiais militares brasileiros desde o início da MINUSTAH em 2004, ela passou a se chamar “Central Operations Section”. Em sua estrutura, a antiga PNHxUNPOL Coordination recebeu a nomenclatura de Joint Operations, seção encarregada pelo planejamento e coordenação de operações policiais e conjuntas no Haiti.

Obrigado ao Ten Pujol pelas preciosas informações!!!

SC

Publicado em: às maio 1, 2011 em 1:13 am  Comentários (1)  

Latin America’s Involvement in United Nations Peace Operations and Brazil’s Engagement as a Key Player

HAMANN, Eduarda. Latin America’s Involvement in United Nations Peace Operations and Brazil’s Engagement as a Key Player. In: Pearson Papers: “Latin America and Peace Operations: Partners and Perspectives”. 1 ed. Clementsport, Nova Scotia : Canadian Peacekeeping Press, 2011, v.13, p. 22-25.

Fonte: http://www.peaceoperations.org/wp-content/uploads/2010/02/Pearson-Papers-Volume-13.pdf

Site: www.peaceoperations.org

Publicado em: às abril 26, 2011 em 3:07 am  Comentários (1)  

Policiais militares brasileiro participam de Operação de sucesso em Port Leogane (Haiti)

Operação realizad

No dia 02 de abril, o Tenente PMBA Leonardo Pujol, que serve no componente policial da ONU (United Nations Police – UNPOL) na MINUSTAH passou a ser o mais novo integrante da Joint Operations, unidade que é responsável pela realização de operações conjuntas (UNPOL + FPU+ Militares) em todo o território haitiano.

“Uma nova experiência dentro da MINUSTAH, até o momento muito prazeirosa, pois sinto uma grande proximidade com as minhas atividades desenvolvidas como oficial da PMBA.” – Afirma Pujol.

A Operação foi planejada pelo UNPOL colombiano – Ricardo Romero (Cap), a partir de uma informante da Comissaria de Port Leogane. Diante da informação do exato local onde estavam vivendo os criminosos, a Operação foi executada pela Joint Operation, denominada ANGEL, junto com os PNH locais, com o apoio do Batalhão Brasileiro II (Barbatt 2), o qual foi responsável por executar a segurança do perímetro externo e proteção do aparato policial), da Tropa de Choque e Time SWAT da Jordânia (FPU 1 – Jordan SWAT – na segurança da busca tática) e das unidades de SWAT da UNPOL e da PNH.

Como resultado final da operação, 10 criminosos foram presos, juntamente como uma sub-metralhadora Uzi, 90 muniçöes 9mm, 2 muniçöes 5.56 e cinco carregadores.

Destaca o Tenente Pujol:

“Foi a minha primeira operação e a última do Cap PMERJ Tadeu…”

(O Capitão Tadeu regressou no dia 21 de abril por término de Missão.)

A Operação foi muito positivo e a Chefia da MINUSTAH ficou bastante contente com os resultados: site:  http://www.flickr.com/photos/minustah/sets/72157626492877486/

Parabéns ao Tenente Pujol e ao Capitão Tadeu que muito orgulham o nosso país e a comunidade policial brasileira!!!!

Publicado em: às abril 25, 2011 em 2:56 pm  Comentários (2)  

Major Unpol BECKER recebe medalha CRUZ DA PAZ da FEB durante Missão no Timor Leste

Por Major PMMA Aureci Becker.

Em 2010 a ANVFEB alcançou o mundo, pois esta foi a primeira cerimônia de entrega da Medalha Cruz da Paz fora do Brasil e em uma das Nações mais distantes do nosso país: o Timor Leste.

DESSA FEITA, 10 personalidades foram agraciadas ao longo do último trimestre de 2009, sendo 4 brasileiros e 3 estrangeiros, um de Singapura, um das Filipinas e o outro da Malásia.

Faltavam ainda 3 brasileiros, dentre eles o Excelentíssimo Senhor Embaixador do Brasil no Timor Leste. Assim sendo, em Cerimônia oficial realizada no dia 11 de Fevereiro de 2010, na Embaixada Brasileira do Timor Leste, teve lugar então essa emocionante homenagem.

Maj Aureo Ribeiro Vieira da Silva, do Exercito Brasileiro, Oficial de Ligação da UNMIT no Timor Leste,  fez a entrega em ato solene.

Embaixador Edson Monteiro e Maj PMMA Becker, os agraciados ocupando a posição para a cerimônia. O Senhor Cônsul Décio Teixeira conduziu a cerimônia, que foi composta dos seguintes eventos:

-Finalidade da Cerimônia;

–Canto do Hino Nacional;

–Palavras do Maj Vieira Silva;

–Entrega de Condecorações;

–Palavras do Embaixador;

–Cumprimentos aos agraciados;

–Um brinde à PAZ, oferecido pelo Senhor Embaixador.

No evento, participaram os funcionários da Embaixada, os agraciados, o Cap UNPOL Vilaca-PMPE e os convidados do Embaixador, na maioria professores brasileiros que estão em missão oficial em Dili, no Timor Leste.

O Maj Vieira Silva antes de fazer uso da palavra relembrou a todos que o Brasil foi o único país da América Latina a ter participado da 2ª Guerra Mundial e  que sua presença no evento se fazia em função de ter sido o proponente da Medalha para os agraciados.

O Maj UNPOL Becker recebeu nesse dia sua terceira medalha em uma única missão de paz , juntamente com as medalhas a serviço da paz e solidariedade de Timor Leste.

O Chefe do Contingente PM brasileiro no Timor, Cel PMDF, também foi condecorado.

Publicado em: às abril 25, 2011 em 2:36 am  Comentários (1)  

The PMDF and the United Nations Peace Operations: A Brief history and Future Perspectives.

MELO NETO, S. C. A., MELO, Antônio Sérgio Carrera de Albuquerque. The PMDF and United Nations Peace Operations: A Brief History and Future Perspectives In: Pearson Papers: “Latin America and Peace Operations: Partners and Perspectives”.1 ed.Clementsport, Nova Scotia : Canadian Peacekeeping Press, 2011, v.13, p. 31-37.

Fonte: http://www.peaceoperations.org/wp-content/uploads/2010/02/Pearson-Papers-Volume-13.pdf

Tolerância Zero para Exploração Sexual numa Missão de Paz da ONU

O “UNMIT Daily Media Review: Morning Edition, 4 April 2011” apresenta um artigo importantíssimo para o mundo das Operações de Paz da ONU, onde trata do tema “Policiais da ONU que cometem crimes são legalmente processados” (UN Police officers who commit crimes are legally processed).

O Representante Especial do Secretário-Geral da ONU no Timor Leste, Ameerah Haq, enfatiza que qualquer Policial da ONU (United Nations Police – UNPOL) que venha a se envolver em crimes no país será devidamente processado.

As ações que contrariam as normas e condutas previstas pelas Nações Unidas, em nível de disciplina e crimes, serão investigadas pela própria Missão de Paz e, em se configurando a ocorrência de um crime, os casos serão encaminhados ao Poder Judiciário, após o Secretário-Geral retirar a imunidade que os UNPOL possuem por representar a Organização.

Nesse sentido, uma das maiores preocupações da ONU está vinculada a conduta de todos os seus membros no que se refere a sua política de “Tolerância Zero quanto a Exploração Sexual” cometida por policiais, militares e civis da ONU. 

A Organização das Nações Unidas é rigorosa, e deve ser, em qualquer ação cometida por um de seus funcionários ou representantes no que se refere ao envolvimento deles na oferta de vantagens pecuniárias ou semelhante à população local ou pessoas de condição social  desfavorecida,  em troca de sexo.

Em 2007, no Haiti, somente o indício de que um pequeno grupo de militares haviam cometido atos de exploração sexual ou condutas semelhantes com mulheres haitianas acarretaram o repatriamento de toda uma Companhia do componente militar da MINUSTAH, composta por  150 (cento e cinquenta) homens.

Há de se esperar que um representante de um país e da ONU não se envolva com o pagamento de prostitutas ou mesmo condicione relações sexuais mediante oferta de vantagens financeiras.  Mais grave ainda dar-se o envolvimento sexual com menores.

Mesmo não sendo recomendado, existe sim a possibilidade da existência de “relações reais” entre membros da ONU com integrantes da população local, como já ocorrera inúmeras vezes, mas NUNCA esta relação deverá ser pautada na troca “sexo x dinheiro”.

É lamentável a conduta de policiais, militares e civis da ONU que não observam as normas internas e colocam em cheque o nome e a credibilidade da Organização e do país de origem dos representantes, especialmente quando se utilizam dos recursos financeiros que dispõem para “comprar” sexo ou algo do gênero.

É motivo de vergonha e humilhação qualquer possibilidade de um brasileiro se envolver ou ser repatriado por motivos como esses. Mas nada mais justo, necessário e imprescindível que a ONU, ou mesmo o chefe de contingente, atue imediatamente e com o devido rigor em casos que venham a manchar e macular o nome de nosso país ou das Nações Unidas por atos repugnantes e com certeza cometidos sem a devida noção da importância do papel que assume ao representar a comunidade internacional em uma ação humanitária/Missão de Paz.

Publicado em: às abril 6, 2011 em 1:43 am  Comentários (1)  

Policial Militar Boina Azul da ONU assume comando da Guarda Municipal do Rio de Janeiro

No dia 05 de abril de 2011, o Coronel Lima Castro, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro – PMERJ, veterano das Missões de Paz da ONU em Moçambique e no Timor Leste, tendo inclusive exercido a função de SubComissário da Polícia da ONU (UNPOL) no país asiático, assumirá a função de Comandante da Guarda Municipal do Rio de Janeiro.

Na função de Chefe da Comunicação Social da PMERJ, o Cel Lima Castro exerceu importante papel como porta-voz da Corporação fluminense durante as ações no Complexo do Alemão no ano de 2010.

O Evento dar-se-á às 15h do dia 5 de abril, na Sede da Guarda Municipal do RJ, localizada na Av. Pedro II, N. 111, São Cristovão – RJ.

Parabéns e sucesso ao veterano!!!!

SC

Publicado em: às abril 1, 2011 em 10:52 pm  Comentários (1)  

Visita ao Brasil do Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Embaixador Joseph Mutaboba

Brasília, 29 a 31 de março de 2011

30/03/2011 -

O Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Embaixador Joseph Mutaboba, realiza visita a Brasília, ocasião na qual será recebido, no dia 31 de março, pelo Ministro Antonio de Aguiar Patriota.

O objetivo da visita do Embaixador Mutaboba é discutir formas de fortalecer a cooperação na Guiné-Bissau, em particular nas áreas de reforma do setor de segurança, fortalecimento do estado de direito e combate ao narcotráfico. 

O Brasil permanece comprometido com a estabilidade e o desenvolvimento da Guiné-Bissau e preside, desde dezembro de 2007, a configuração da Comissão de Consolidação da Paz das Nações Unidas para a Guiné-Bissau. Realiza, ademais, extensa cooperação bilateral com o país, com iniciativas nas áreas de segurança, desenvolvimento socioeconômico, agrícola, educação e saúde, entre outras.

FONTE: MRE.

Publicado em: às março 31, 2011 em 3:23 am  Comentários (1)  

West Africa Lurches Toward War

As the world watches the tsunami in Japan and the uprising in Libya, another part of the world is on the brink of disaster. Is anyone paying attention?

BY ELIZABETH DICKINSON | MARCH 11, 2011

MONROVIA, Liberia — Along a muddy border between the Ivory Coast and Liberia, Ivorian refugees pack into a small wooden boat that resembles a giant, square fruit crate. The raft fills quickly and just as quickly departs directly across the river, where a Liberian immigration officer waits to direct them on the opposite bank. The new arrivals carry nothing but the clothes they are wearing and any small plastic bags they can manage. Once on the Liberian side, they are herded into long lines and processing queues. Many will sleep outside; some will take shelter with ethnic kin, in local villages, who are themselves often struggling to survive.

Armed conflict from the Ivory Coast is spilling over its fluid western border with Liberia. And the result is the worst humanitarian crisis that West Africa has faced since 2003, when the wars ravishing Liberia, Sierra Leone, Guinea, and the Ivory Coast finally wound down.

What’s unfolding now in West Africa are the warning signs of another all-out war. Off and on for almost two decades, from 1989 to 2004, rebels roamed the region, pillaging and attacking villages and displacing millions. In Sierra Leone, rebel armies routinely hacked off limbs and hands to deprive villagers of their economic potential — their physical ability to farm. In Liberia, child soldiers, drugged and armed with old Kalashnikovs, terrorized the countryside. Tens of thousands of U.N. peacekeepers have worked for years to stitch the region back together.

The scene today, however, is darkly familiar. Elements of the old wars are surfacing again: Armed fighters are suddenly trying to cross the border from Ivory Coast into Liberia, Liberian ex-combatants are being lured to fight in the Ivory Coast, and almost half a million have been uprooted from their homes in both Liberia and the Ivory Coast, plunging the region into humanitarian crisis. Tension throughout the region is reaching a boiling point at a time when Liberia was already warily preparing for a national election. War is in the air.

The trigger came in November, when Ivory Coast’s incumbent president, Laurent Gbagbo, refused to step down after losing an internationally certified election. Although international pressure has isolated Gbagbo diplomatically, he retains strong local support — about 50 percent of the vote and the country’s territory. He and his opponent, Alassane Ouattara, are each backed by loyal armed forces, which were supposed to have integrated after the war. But instead, Gbagbo’s army has maintained control over the south while Ouattara’s rebels, the Forces Nouvelles, have guarded the north. In early January, they started fighting one another again in Abobo, a suburb of the capital Abidjan, and in recent days all along the border with Liberia.

The result has been growing chaos on the Liberian side of the border, where the flow of refugees increased by 90 percent in February. In just the last two weeks, the number of people who have entered Liberia from the Ivory Coast has jumped from 30,000 to 100,000. In the Ivory Coast, at least 200,000 have fled their homes in Abidjan, bringing the total number of displaced in the country to around 370,000. In the country’s interior, the United Nations has very limited access to them. Meanwhile, U.N. agencies in the Liberian capital of Monrovia say they have contingency plans for housing as many as 250,000 refugees.

But civilians aren’t the only ones crossing the border. The U.N.’s top envoy in Liberia, Ellen Margaret Loj, confirmed that armed Ivorian fighters from both sides of the emerging conflict have recently attempted to enter the country. “Some [were] trying apparently to use Liberia as a transit to re-enter into Cote d’Ivoire, others to come in and see if there were any defected fighters among the refugees,” she told me on March 9.

FONTE: Foreign Policy.

Publicado em: às março 30, 2011 em 4:18 pm  Comentários (1)  
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